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Seu bolso
Dados do Procon-SP revelam que percentual dos brasileiros que gastam mais de R$ 1 mil mensais em apostas aumentou e chegou a 30% em 2026
Entre as atividades de entretenimento e lazer que mais comprometem o orçamento familiar dos brasileiros atualmente estão as apostas online. O que começa como uma “diversão despretensiosa”, muitas vezes, evolui para o endividamento. Dados de uma pesquisa do Procon de 2026 mostram que o hábito de apostar cresceu muito entre os jovens e pessoas com renda de até quatro salários-mínimos.
O percentual dos brasileiros que gastam mais de R$ 1 mil mensais aumentou consideravelmente e chegou a 30% entre os apostadores entrevistados em 2026, comparado a 18% em 2025. “A publicidade massiva, especialmente quando utiliza celebridades e influenciadores de confiança do público, pode criar uma falsa sensação de segurança ao consumidor”, diz Camila Poltronieri Flaquer, Head de Cobrança Digital (B2C) da Recovery, plataforma de recuperação de crédito. “É preciso filtrar essas mensagens e lembrar que, por trás do brilho da propaganda, quem paga a conta e assume o prejuízo é o orçamento familiar”.
O lazer que cabe no bolso
No cenário ideal, você é quem manda no seu dinheiro. A diversão pode e deve ter um lugar no orçamento, mas só depois que as contas essenciais e a sua reserva de segurança estiverem garantidas. Se você decidiu que pode gastar cem reais com um jantar ou outra forma de entretenimento e esse valor acaba, é importante compreender que é o momento de encerrar a diversão, sem peso na consciência. O grande segredo deste nível é a previsibilidade: você sabe exatamente quanto o seu bem-estar custa e não deixa que ele invada o espaço do dinheiro que deveria pagar despesas obrigatórias como conta de luz, compras de mercado e condomínio.
O lazer que acende o alerta
Já no cenário do lazer no limite, a situação começa a ficar desconfortável. É aquele momento em que a frase “eu mereço” vira uma justificativa para gastos que você não pode pagar à vista. Nesse estágio, é comum começar a usar o limite do cartão de crédito ou o cheque especial para manter um padrão de vida social ou continuar jogando. O lazer deixa de ser um momento de relaxamento total e passa a vir acompanhado de uma pontada de culpa, pois você começa a contar com a sorte ou com um dinheiro extra que ainda nem recebeu para cobrir os excessos cometidos no fim de semana.
O lazer que virou um problema
O estágio mais crítico deste tipo de despesa é quando ela se torna o lazer que fugiu do controle, quando aquele gasto vira uma necessidade compulsiva e cega. Dados do Procon indicam que quase metade das pessoas que jogam em sites de apostas, por exemplo, já chegaram a pedir empréstimos ou resgatar economias de uma vida inteira para sustentar o hábito. Nesse cenário, o entretenimento se torna uma prioridade perigosa, acima das necessidades básicas da família.
Há uma tentativa constante de recuperar o dinheiro perdido, o que cria uma bola de neve emocional e financeira difícil de carregar sozinho. Quando a diversão gera dívidas e mentiras para as pessoas próximas, é sinal de que o controle se perdeu completamente.
Como retomar as rédeas da situação?
Para dar a volta por cima, o primeiro passo é encarar a realidade dos números sem medo. Estabelecer um teto máximo para gastos supérfluos e desvincular o cartão de crédito de aplicativos de apostas, compras online e delivery ajuda a evitar aquele gasto por impulso que pode acontecer num momento de tédio.
A especialista da Recovery reforça: “Sair do aperto é um processo feito de pequenas decisões diárias, como escolher opções de lazer gratuitas quando o orçamento aperta, organizar as dívidas por prioridades como: quais as mais elevadas? E com mais juros?”.
Ela observa, ainda, que é sempre possível solicitar renegociação de pagamentos ou recorrer a plataformas especializadas, que conseguem oferecer melhores condições e prazos. “Ajustar a rotina financeira pode parecer um desafio difícil, mas sempre pode estar ao nosso alcance. Acontece quando há constância e aceitação da realidade atual”, conclui.
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