Amigos, amigos...

Amigos nos negócios: cinco cuidados para evitar que a parceria vire conflito e vá parar na Justiça

Misturar amizade e negócios pode parecer uma escolha natural para muitos empreendedores, mas também é uma das combinações mais suscetíveis a conflitos

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Foto: Magnific

Misturar amizade e negócios pode parecer uma escolha natural para muitos empreendedores, mas também é uma das combinações mais suscetíveis a conflitos. Divergências sobre dinheiro, poder de decisão, dedicação à empresa e distribuição de resultados costumam surgir à medida que o negócio cresce e, sem regras claras, podem comprometer tanto a sociedade quanto a própria amizade.

No Dia do Amigo, celebrado nesta segunda-feira (20/7), especialistas alertam para a importância de formalizar acordos desde o início da parceria.

Segundo a advogada Sofia Wanderley Küsel, do escritório Granito Boneli Advogados, a falta de formalização está entre os principais riscos desse tipo de sociedade. “À medida que a empresa cresce, surgem divergências sobre gestão, divisão de resultados e visão estratégica. Sem regras previamente definidas, essas questões tendem a se tornar mais difíceis de resolver e podem comprometer tanto a empresa quanto a amizade”, explica.

De acordo com a especialista, um dos erros mais comuns é acreditar que a confiança entre os sócios dispensa a necessidade de um acordo formal. Ela destaca que o acordo de sócios possui uma função diferente da exercida pelo contrato social e é fundamental para organizar a relação entre os parceiros de negócio. “Enquanto o contrato social regula a empresa perante terceiros, o acordo de sócios organiza a relação entre os sócios, permitindo tratar, com mais liberdade e profundidade, temas ligados à gestão e ao funcionamento do negócio. Quando esse instrumento não existe, questões importantes acabam ficando em aberto e, diante de conflitos, muitas vezes são levadas ao Judiciário.”

Além de prevenir impasses, o documento contribui para uma gestão mais segura e previsível. “O acordo não elimina divergências, mas cria mecanismos para lidar com elas de forma objetiva, reduzindo impactos e ajudando a preservar a relação pessoal”, acrescenta.

Para quem pretende abrir um negócio com amigos, Sofia destaca cinco cuidados essenciais:

• Alinhar expectativas desde o início, incluindo dedicação ao negócio, remuneração, responsabilidades e possíveis critérios de saída;

• Entender que contrato social e acordo de sócios são instrumentos complementares, com funções distintas e igualmente importantes;

• Buscar orientação de um advogado especializado em direito societário para estruturar o acordo de acordo com as características da empresa;

• Revisar periodicamente o documento, acompanhando a evolução do negócio e eventuais mudanças na sociedade;

• Definir previamente mecanismos para resolução de conflitos, tornando as decisões mais ágeis e menos desgastantes.

Para a advogada, formalizar regras não significa falta de confiança, mas uma forma de proteger a relação construída ao longo dos anos. “Ao separar as questões empresariais da amizade, o acordo de sócios ajuda a preservar o vínculo justamente nos momentos em que ele pode ser mais testado”, conclui.