20 de julho de 2026 às 18:00
Atualizado em 20 de julho de 2026 às 17:03
Misturar amizade e negócios pode parecer uma escolha natural para muitos empreendedores, mas também é uma das combinações mais suscetíveis a conflitos. Divergências sobre dinheiro, poder de decisão, dedicação à empresa e distribuição de resultados costumam surgir à medida que o negócio cresce e, sem regras claras, podem comprometer tanto a sociedade quanto a própria amizade.
No Dia do Amigo, celebrado nesta segunda-feira (20/7), especialistas alertam para a importância de formalizar acordos desde o início da parceria.
Segundo a advogada Sofia Wanderley Küsel, do escritório Granito Boneli Advogados, a falta de formalização está entre os principais riscos desse tipo de sociedade. “À medida que a empresa cresce, surgem divergências sobre gestão, divisão de resultados e visão estratégica. Sem regras previamente definidas, essas questões tendem a se tornar mais difíceis de resolver e podem comprometer tanto a empresa quanto a amizade”, explica.
De acordo com a especialista, um dos erros mais comuns é acreditar que a confiança entre os sócios dispensa a necessidade de um acordo formal. Ela destaca que o acordo de sócios possui uma função diferente da exercida pelo contrato social e é fundamental para organizar a relação entre os parceiros de negócio. “Enquanto o contrato social regula a empresa perante terceiros, o acordo de sócios organiza a relação entre os sócios, permitindo tratar, com mais liberdade e profundidade, temas ligados à gestão e ao funcionamento do negócio. Quando esse instrumento não existe, questões importantes acabam ficando em aberto e, diante de conflitos, muitas vezes são levadas ao Judiciário.”
Além de prevenir impasses, o documento contribui para uma gestão mais segura e previsível. “O acordo não elimina divergências, mas cria mecanismos para lidar com elas de forma objetiva, reduzindo impactos e ajudando a preservar a relação pessoal”, acrescenta.
Para quem pretende abrir um negócio com amigos, Sofia destaca cinco cuidados essenciais:
• Alinhar expectativas desde o início, incluindo dedicação ao negócio, remuneração, responsabilidades e possíveis critérios de saída;
• Entender que contrato social e acordo de sócios são instrumentos complementares, com funções distintas e igualmente importantes;
• Buscar orientação de um advogado especializado em direito societário para estruturar o acordo de acordo com as características da empresa;
• Revisar periodicamente o documento, acompanhando a evolução do negócio e eventuais mudanças na sociedade;
• Definir previamente mecanismos para resolução de conflitos, tornando as decisões mais ágeis e menos desgastantes.
Para a advogada, formalizar regras não significa falta de confiança, mas uma forma de proteger a relação construída ao longo dos anos. “Ao separar as questões empresariais da amizade, o acordo de sócios ajuda a preservar o vínculo justamente nos momentos em que ele pode ser mais testado”, conclui.