Simplificação do IR

Declaração do IR pode passar a ser automática em até três anos; especialistas fazem ressalvas

Advogados ouvidos pelo DeJur avaliaram que modelo simplificaria método, mas alertaram para riscos, como confiabilidade dos dados

imposto de renda 2026
Foto: Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que em dois ou três anos não será mais necessário aos contribuintes brasileiros fazer a declaração do Imposto de Renda. A novidade, caso se confirme, se deve às mudanças que vêm sendo implementadas pelo governo federal, no sentido de automatizar procedimentos.

Em março, Durigan já havia acenado com essa possibilidade, após ter demandado à Receita Federal o desenvolvimento de um sistema automatizado capaz de reunir informações financeiras dos contribuintes, o que dispensaria o preenchimento manual da declaração.

Nesta segunda-feira (1º/6), durante entrevista à Rádio CBN, o ministro informou que a mudança deverá ocorrer em dois ou três anos.

“Não é possível que, com todo mundo já tendo declarado no dia a dia suas obrigações para a Receita, nós ainda vamos obrigar o contribuinte a parar, gastar tempo útil da sua vida – seja de trabalho, seja de descanso – para prestar informações que, muitas vezes, a gente já tem”, afirmou.

“Então veja, no ano que vem eu quero aumentar essa desobrigação; esse alívio para as pessoas. Espero que em dois ou três anos todo mundo fique sem [a necessidade de fazer a] declaração de Imposto de Renda”, acrescentou.

Em março, quando a ideia foi aventada, advogados ouvidos pelo DeJur avaliaram que o possível novo modelo simplificaria o método vigente, mas alertaram para riscos, como confiabilidade dos dados.

“O contribuinte brasileiro, hoje, não sofre primariamente porque precisa declarar. Sofre porque a legislação é indecifrável, as obrigações acessórias se multiplicam a cada exercício, e a insegurança jurídica faz com que mesmo quem quer estar regular não saiba se está”, ressaltou o advogado João Henrique Ballstaedt Gasparino, sócio do Ballstaedt Gasparino Advogados (leia aqui a reportagem completa).

Sistema automático

A demanda apresentada pelo ministro à Receita Federal prevê a integração de dados já disponíveis em bases oficiais e privadas, como informações bancárias, registros de empresas e dados de planos de saúde.

Com isso, o contribuinte passaria apenas a revisar e validar os dados apresentados pelo sistema.

O modelo seria uma evolução da declaração pré-preenchida, que tem sido ampliada nos últimos anos e, segundo estimativas do Fisco, deve alcançar cerca de 60% dos contribuintes.

“Como a gente tem um país informatizado, essas informações vão sendo colocadas no sistema, e a pessoa precisa validar simplesmente”, disse, em março, o ministro da Fazenda.

Com informações da Agência Brasil