“Golpe do exame”, com roubo de dados, já gera ações na Justiça
Delivery da fraude | 13/05/2026
Idosos na mira
Entre as federações com a maior quantidade de processos por estelionato contra idosos, o estado da Bahia ocupa o topo do ranking, seguido por Minas Gerais e São Paulo
Basta uma ligação falsa para que o popular ‘171’, mais conhecido como crime de estelionato, convença a vítima a abrir sua conta bancária. Entre as pessoas 60+, a quantidade de denúncias cresce ano após ano: no Brasil, aproximadamente cinco processos por estelionato contra idosos são abertos por dia. Os dados foram divulgados pelo Escavador nesta quarta-feira (1º/7), com quase cinco mil denúncias registradas entre 2023 e o final de maio de 2026.
De acordo com a plataforma de dados jurídicos, os crimes de estelionato contra idosos se intensificaram na última década. Mantendo o ritmo atual, 2026 deve encerrar com cerca de 62% mais processos do que em 2023.
O início da análise identificou 1,1 mil processos em 2023, crescendo em uma curva suave no ano de 2024, que fechou com 1,3 mil ações. Acompanhando o fenômeno dos golpes virtuais, 2025 apresentou a maior quantidade de denúncias, com 1,7 mil processos apresentados nos tribunais.
Levar os casos à Justiça, após tentativas com os bancos, tornou-se um cotidiano na vida do público mais velho. Segundo Dalila Pinheiro, Coordenadora Jurídica e DPO do Escavador, os criminosos entram em contato com tons de urgência, se passando por ‘gerentes de banco’, ou, em alguns casos, passando de setor em setor da própria quadrilha, levando a vítima a ‘cair em uma arapuca’, como se estivesse sendo assistida pelo time das agências bancárias.
“Um dos casos mais comuns, quando referido ao crime de estelionato contra idosos, é o de golpes relacionados à fraude bancária. Geralmente são encaminhados SMS ou mensagens via WhatsApp, pedindo alguma confirmação: você reconhece esta compra? Ao informar que não, uma equipe entra em contato com a vítima, precisamente como os setores de prevenção à fraude dos bancos fazem. Os estelionatários, em alguns casos, utilizam dados primários, como CPF, para que a engenharia social (técnica de manipulação psicológica) tenha ainda mais efeito no público. Entre os mais velhos, a dificuldade é maior, devido à adaptação tardia com a tecnologia e o entendimento das linguagens e procedimentos”, explica a DPO.
Apesar das campanhas de conscientização, o país está longe de frear os avanços do crime de estelionato contra idosos. O fechamento parcial do primeiro semestre de 2026 trouxe mais uma preocupação às autoridades, com 748 ações notificadas aos tribunais; fatia que corresponde a 41,7% de todo o volume registrado em 2025.
Ainda segundo o Escavador, a quantidade de denúncias pode variar de lugar para lugar. Entre as federações com a maior quantidade de processos por estelionato contra idosos, o estado da Bahia ocupa o topo do ranking, com 580 denúncias, seguido por Minas Gerais (542), São Paulo (458), Paraná (432), Rio de Janeiro (329), Piauí (316), Santa Catarina (273), Mato Grosso do Sul (233) e Ceará, com 207 casos, no período entre 2023 e a última parcial de 2026.
Já entre os que menos contabilizaram processos, está o estado do Acre, com apenas três ações, seguido por Pernambuco (5), Rio Grande do Norte (13) e Maranhão (14). “Uma onda de crimes de estelionato rompeu os estados e não se limitou à fraude bancária. Esse tipo de crime, tipificado no Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), especificamente em seu Artigo 171, estourou nas metrópoles por meio de diferentes formas: compra de veículo, fraudes, golpes do PIX, boletos falsos, fraudes imobiliárias, empréstimos consignados fraudulentos, golpe do falso parente, entre vários outros. A engenharia social por trás dos golpes também avança, conseguindo replicar faces, fazer chamadas de vídeo ‘ao vivo’, criar locais falsos e outras artimanhas”, comenta Dalila.
Além da preocupação que espreita o telefone, os processos por “crimes previstos no Estatuto do Idoso” cresceram no país. Ainda segundo apuração do Escavador, as infrações contra o Estatuto do Idoso já chegam a 29 mil ações no Brasil, com uma média superior a 8,5 mil processos por ano.
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