Eleições 2026

Entenda por que Nunes Marques suspendeu pesquisa que perguntou sobre Flávio e Vorcaro

Levantamento questionou eleitores sobre conversas entre banqueiro e senador; ministro afirmou que questionário indica, em tese, “possível comprometimento da neutralidade metodológica”

Ministro Nunes Marques. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel sobre a disputa presidencial de 2026 após identificar indícios de que o questionário poderia ter influenciado as respostas dos entrevistados.

Por que Nunes Marques suspendeu pesquisa eleitoral?

A decisão de Nunes Marques, em caráter liminar, foi proferida nesta segunda-feira (9/6), em uma ação apresentada pelo PL, que acusou o instituto de utilizar perguntas capazes de associar negativamente o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda à Presidência, ao caso envolvendo o Banco Master.

Segundo o partido, o levantamento ultrapassou os limites de uma simples aferição de opinião pública ao incluir questões como: “Na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master?” e “Você ficou sabendo do áudio e mensagens vazadas de supostas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master?”.

Em seguida, os entrevistados eram questionados se, após tomarem conhecimento das informações, estariam mais ou menos dispostos a votar no senador e se ele deveria manter ou retirar sua candidatura.

Para o PL, a utilização de expressões como “esquema de fraudes financeiras” e a apresentação prévia de informações negativas poderiam induzir os entrevistados a alterar suas respostas sobre intenção de voto, rejeição e imagem pública do pré-candidato.

Ao analisar o pedido, Nunes Marques afirmou que os elementos apresentados indicam, em tese, “possível comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa”. Segundo o ministro, a sequência de perguntas registrada no questionário aparenta ir além da simples coleta de opiniões para introduzir “estímulos narrativos” capazes de influenciar respostas posteriores relacionadas à avaliação de Flávio Bolsonaro.

Nunes Marques também mencionou uma entrevista concedida pelo CEO da AtlasIntel à CNN Brasil, Andrei Roman, na qual o executivo teria afirmado que o conteúdo relacionado a Flávio Bolsonaro era “muito problemático” para a imagem do senador e poderia comprometer sua viabilidade eleitoral. Na avaliação do magistrado, essas declarações reforçam a suspeita de que o questionário possa ter extrapolado os limites de uma pesquisa estatística neutra.

O levantamento da Atlas foi divulgado em 19 de maio e foi a primeira pesquisa a aferir os impactos da divulgação dos áudios na corrida presidencial — Flávio caiu seis pontos no cenário de segundo turno: 41,8% do senador, contra 48,9% do presidente Lula (PT).

Apesar da suspensão, o ministro ressaltou que a decisão tem caráter provisório e não representa um julgamento definitivo sobre a legalidade da pesquisa. Após a análise dos documentos e manifestação do Ministério Público Eleitoral (MPE), o caso ainda será submetido ao plenário do TSE.

A empresa sustenta que o questionário foi elaborado dentro de sua autonomia metodológica e que as perguntas apenas buscavam medir a percepção dos eleitores sobre fatos amplamente divulgados pela imprensa.

Leia a íntegra da decisão.