04 de maio de 2026 às 18:00
Atualizado em 05 de maio de 2026 às 16:01
Por: Júnior Carvalho
A rejeição histórica imposta pelo Senado à indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), na última semana, não serviu apenas para obrigar a imprensa a pesquisar quando foi a última vez que um indicado do presidente a um assento no STF havia sido rejeitado. O episódio, cujo resultado possui as digitais do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também joga luz sobre a retratação equivocada da imprensa sobre o Legislativo.
Levantamento feito pelo DeJur nos acervos digitais dos três principais jornais do país (Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo) mostra que a presença do termo ‘presidente do Congresso’ nas páginas das três publicações é recorrente. Entre 2024 e 2025, a expressão “presidente do Congresso” apareceu 471 vezes.
O que se convencionou chamar de “Congresso Nacional” raramente opera como um ente unificado. A Câmara dos Deputados e o Senado seguem lógicas próprias, com agendas, lideranças e dinâmicas internas muitas vezes dissociadas. A interferência de Alcolumbre na indicação de Messias, portanto, tem um endereço: o Senado, não o “Congresso”.
A pesquisa revela que a citação do termo vem aumentando de 2018 para cá. O pico se deu nos anos de 2022-2023, quando o termo “presidente do Congresso” ocupou 537 reportagens. O período coincide com episódios em que o presidente do Senado obteve protagonismo: os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e o avanço da bandeira anti-STF no Senado.
Veja o levantamento completo:
2024-2025
Estadão: 257
Folha de S.Paulo: 104
O Globo: 110
Total: 471
2022-2023
Estadão: 320
Folha de S.Paulo: 93
O Globo: 124
Total: 537
2020-2021
Estadão: 200
Folha de S.Paulo: 124
O Globo: 67
Total: 391
2020-2021
Estadão: 109
Folha de S.Paulo: 73
O Globo: 29
Total: 211