06 de agosto de 2026 às 12:00
Atualizado em 06 de agosto de 2026 às 12:23
O Supremo Tribunal Federal (STF) está decidindo desde esta quarta-feira (4/7), se o artigo 50 da Lei de Contravenções Penais, que pune a exploração de jogos de azar, foi recepcionado pela Constituição de 1988. O julgamento decide sobre o Tema 924, cuja repercussão geral reconhecida pelo plenário virtual. A legislação está vigente no país desde 1941, quando foi assinada pelo então presidente Getúlio Vargas.
O caso chegou ao STF por meio de um recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) contra uma decisão da Justiça estadual. O tribunal local considerou que a exploração de jogos de azar não configura contravenção penal, por entender que a proibição contraria os princípios constitucionais da livre iniciativa e das liberdades individuais.
O que são jogos de azar?
São jogos em que o resultado depende predominantemente da sorte, não da habilidade — como bingo, jogo do bicho, roleta, caça-níqueis e similares.
As bets entram nessa discussão?
Não diretamente. As apostas esportivas já foram regulamentadas por lei e não são tratadas como contravenção penal. O MP destacou que a regulamentação das bets não torna o jogo inofensivo, mas elas não são o foco do julgamento.
Qual a diferença entre jogos de azar e apostas esportivas?
Jogos de azar: dependem essencialmente da sorte.
Apostas esportivas (bets): dependem de eventos reais, como partidas esportivas, e já possuem regulação específica.
O que está em discussão e o que muda após a decisão do STF?
O STF decide se o artigo 50 da Lei de Contravenções Penais, que pune a exploração de jogos de azar, foi recepcionado pela Constituição de 1988. Se o STF validar a norma, a exploração de jogos de azar continua sendo contravenção penal. Se o STF invalidar a norma, a exploração deixa de ser punível, podendo abrir caminho para regulamentação legislativa.
Contravenção penal é a mesma coisa que crime?
Não. A contravenção é uma infração menos grave, com penas mais leves (como multa ou prisão simples). O crime tem maior reprovabilidade e penas mais severas.
Por que esse julgamento é importante?
Porque define:
- os limites da intervenção penal do Estado;
- se a proibição de jogos de azar ainda é constitucional;
- impactos na ordem econômica, na segurança pública e na proteção de pessoas vulneráveis (como jogadores com ludopatia);
- se o Brasil pode avançar para regulamentar ou manter proibida a exploração desses jogos.
Processo: RE 966.177