Estudo CNJ

Estudo aponta mercado imobiliário como preferência do crime organizado para lavagem de dinheiro  

prédios
Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

O mercado imobiliário segue entre os principais meios utilizados por organizações criminosas para ocultar a origem de recursos obtidos por atividades ilícitas. A conclusão consta do artigo “O Setor Imobiliário como Ambiente de Integração de Ativos Ilícitos: perspectivas sobre a lavagem de capitais por organizações criminosas”, publicado na primeira edição do volume 10 da Revista Eletrônica do Conselho Nacional de Justiça (e-Revista CNJ). O estudo examina os mecanismos empregados para dar aparência de legalidade ao patrimônio de origem criminosa e aponta medidas para ampliar a eficiência do combate à lavagem de capitais.

Assinado por Adriana Maria Gomes de Souza Spengler e Rainier Nespolo, o artigo analisa como o setor imobiliário pode servir de instrumento para a fase de integração da lavagem de capitais, etapa em que recursos provenientes de crimes passam a circular na economia formal com aparência de licitude.

Segundo os autores, operações sucessivas de compra e venda de imóveis, a utilização de empresas de fachada, pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, e estruturas societárias complexas dificultam a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários finais das transações. Esse cenário representa um desafio para os mecanismos tradicionais de investigação e fiscalização.

Sob a perspectiva jurídica, o estudo destaca que o enfrentamento à lavagem de capitais não depende apenas da responsabilização criminal dos envolvidos. A pesquisa sustenta que o combate ao financiamento das organizações criminosas exige instrumentos capazes de identificar, rastrear e recuperar ativos de origem ilícita, reduzindo a capacidade financeira dessas estruturas.


Entre as medidas apontadas estão o fortalecimento da inteligência financeira, o aprimoramento da identificação dos beneficiários finais das operações, a recuperação de ativos e o aumento da cooperação entre órgãos de controle e instituições do sistema de Justiça. Na avaliação dos pesquisadores, essas iniciativas ampliam a capacidade do Estado de desarticular financeiramente organizações criminosas e proteger a economia formal.

O artigo integra a primeira edição do volume 10 da e-Revista CNJ, publicada em junho, que reúne 18 estudos científicos voltados a temas como violência doméstica e familiar contra a mulher, crime organizado e infância e juventude. A edição recebeu mais de 50 artigos para avaliação e busca contribuir para o aperfeiçoamento das políticas judiciárias e das respostas institucionais aos desafios do sistema de Justiça.

A próxima edição do volume 10 da e-Revista CNJ terá como foco os temas precatórios, execução fiscal e juizados especiais. O prazo para submissão de artigos segue aberto até 23 de agosto, dando continuidade à proposta da publicação de fomentar estudos voltados ao aprimoramento das políticas públicas e da atuação do Poder Judiciário.

Deixe um comentário

Seu comentário será publicado após aprovação da redação. Campos obrigatórios são marcados com *.