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Opinião
Reforma impõe reorganização que vai diferenciar quem se prepara de quem apenas responde às mudanças
*Por Elias Menegale
A reforma tributária começa a produzir efeitos práticos em 2026, mas tratar esse momento como uma virada imediata de chave é um erro. O que se inicia é um período de transição que exige mais do que adaptação, exige preparação. A substituição de PIS e COFINS pela CBS, a criação do IBS no lugar de ICMS e ISS, além da manutenção parcial do IPI, aponta para um modelo semelhante ao IVA, com mais transparência e menor distorção ao longo da cadeia.
No curto prazo, porém, o efeito tende a ser o oposto do que muitos esperam, com aumento relevante da complexidade operacional.
A lógica de crédito muda de forma estrutural. Se antes muitas empresas enfrentavam restrições para aproveitar créditos acumulados na cadeia, agora a premissa é de um sistema mais amplo, em que praticamente tudo gera crédito. Isso corrige distorções históricas, mas exige um nível de controle muito mais rigoroso. Não se trata de conhecer a regra, mas de garantir que ela seja aplicada corretamente no dia a dia, sem gerar perdas ou exposição a riscos fiscais.
Outro ponto é a mudança da tributação da origem para o destino. O imposto passa a ser recolhido onde o consumo ocorre, o que altera a dinâmica entre os estados e reduz a relevância de estratégias baseadas em incentivos fiscais regionais. A tendência é de enfraquecimento da guerra fiscal, ao mesmo tempo em que as empresas precisam reavaliar suas operações, desde a lógica de distribuição até o posicionamento comercial, já que a localização do consumo passa a ter impacto direto na carga tributária.
Em 2026, a cobrança ainda será simbólica, mas o novo modelo já começa a aparecer de forma concreta nas notas fiscais. O desafio é que ele passa a coexistir com o sistema atual, criando um cenário de sobreposição. Na prática, significa lidar com duplicidade de obrigações, adaptar sistemas em funcionamento e operar com um nível maior de risco. Não é apenas uma questão técnica, mas um risco real de erro, de custo adicional e de falhas na execução.
O cenário também afeta diretamente a formação de preços. Com maior transparência, o peso dos tributos se torna mais visível, o que expõe margens e reduz a capacidade de absorver ineficiências sem impacto percebido. Com isso, a empresa fica obrigada a revisar contratos, recalcular preços e reavaliar seu portfólio de produtos de forma mais criteriosa.
Diante disso, 2026 não pode ser tratado como um ano de espera. É o período de estruturar a transição, com diagnóstico detalhado, simulação de cenários e revisão de decisões que vão desde preço até cadeia de suprimentos. A mudança mais profunda se consolida a partir de 2027, mas o preparo que define os resultados começa agora. A empresa que se antecipar tende a preservar margem e ganhar eficiência, enquanto aquelas que deixarem para reagir depois podem enfrentar perdas relevantes e dificuldade de ajuste.
A reforma não altera somente a forma de recolher tributos. Ela impõe uma reorganização operacional e estratégica que vai diferenciar quem se prepara de quem apenas responde à mudança quando ela já está em curso.
*Elias Menegale é Head do setor tributário da Paschoini Advogados, escritório especializado em direito empresarial, tributário, trabalhista e civil.
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