Exercício ilegal

OAB vai investigar estagiária que se passou por advogada para cobrar honorários de aposentado

Estudante teria atendido idoso nos fundos de um consultório odontológico e ofertado ação contra INSS; advogado também será investigado por facilitar conduta

A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia (OAB-RO) abriu processo administrativo disciplinar (PAD) para apurar a conduta de uma estagiária suspeita de atuar como advogada sem supervisão e cobrar honorários de um cliente. O advogado que aparece vinculado a uma das ações envolvendo o cliente também passou a ser investigado por possível facilitação da conduta.

Advogada. Foto: Freepik
Foto: Magnific

Atuação profissional sob apuração

Segundo informações da OAB-RO, o cliente procurou uma assessoria jurídica para solicitar um benefício previdenciário. Durante o atendimento, a mulher, que possui inscrição na entidade apenas como estagiária, teria omitido essa condição e se apresentado como advogada.

O primeiro atendimento teria ocorrido nos fundos de um consultório odontológico. Após a concessão do benefício pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a investigada teria cobrado honorários e solicitado ao cliente a assinatura de um contrato de prestação de serviços.

A situação levou o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-RO a determinar a abertura de processo disciplinar para apurar possíveis infrações. Entre as condutas sob investigação estão a extrapolação dos limites de atuação de estagiária, a cobrança direta de honorários e a captação ilícita de clientela.

Outro processo envolve advogado

A apuração também alcança uma segunda ação judicial envolvendo o mesmo cliente. Nesse processo, a representação aparece vinculada a outro advogado, cujo nome, segundo o relato apresentado à OAB-RO, seria desconhecido pelo cliente.

O advogado também passou a ser investigado na esfera disciplinar por possível facilitação da conduta atribuída à estagiária.

O caso, portanto, envolve não apenas a análise da atuação individual da estagiária, mas também a verificação da participação de profissional regularmente inscrito na OAB e de eventual responsabilidade disciplinar relacionada aos fatos investigados.

Encaminhamento ao Ministério Público

Além da apuração no âmbito da OAB-RO, o presidente da entidade, Márcio Nogueira, encaminhou o caso ao Ministério Público de Rondônia (MPRO) para investigação de possível crime de estelionato.

A apuração criminal e o processo disciplinar possuem naturezas distintas. Enquanto o procedimento da OAB-RO busca verificar eventual infração às regras profissionais e disciplinares da advocacia, o encaminhamento ao Ministério Público permite a análise dos fatos sob a perspectiva penal.

O processo administrativo deverá avaliar as condutas atribuídas à estagiária e ao advogado mencionado no caso. O encaminhamento ao MPRO, por sua vez, abre espaço para a apuração independente da possível ocorrência de crime.

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