Brasileiros ampliam saída fiscal, com EUA como principal destino
Movimento cresce 80% em cinco anos; aumento acende alerta para o Brasil, diz advogado
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26 de setembro de 2026 às 13:00Atualizado em 25 de setembro de 2026 às 14:43
O número de brasileiros que formalizaram a mudança de residência fiscal cresceu de forma expressiva nos últimos cinco anos. Dados do Painel de Declarações de Saída Definitiva da Receita Federal mostram que foram registrados 46.632 procedimentos até agosto de 2026. Em 2021, haviam sido 25.806, o que representa um aumento de 80,7% no período.
Somente nos primeiros oito meses de 2026, foram registradas 46.632 declarações, um aumento de aproximadamente 47% em relação às 31.706 contabilizadas durante todo o ano de 2025.
Na avaliação de Vinícius Bicalho, advogado licenciado nos Estados Unidos, no Brasil e em Portugal, CEO da Bicalho Consultoria Legal e professor de pós-graduação em Direito Migratório, o crescimento acende um alerta para o Brasil, mas não deve ser interpretado apenas como abandono do país ou retirada de recursos.
“Eu vejo esse movimento por dois ângulos. Para o Brasil, existe uma preocupação legítima com a saída de profissionais qualificados, empresários, investidores e famílias com capacidade de gerar conhecimento, empregos e arrecadação. Para quem parte, entretanto, muitas vezes não se trata de desistir do país, mas de internacionalizar a carreira, ampliar os negócios, proteger o patrimônio e buscar novas oportunidades”, afirma.
EUA concentram cerca de um quarto dos registros
Do total contabilizado em 2026, quase 26% das declarações apontam os Estados Unidos. Os três principais destinos informados foram: Estados Unidos: 11.943 registros; Portugal: 8.825; e Canadá: 2.930.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
A liderança americana revela um movimento que vai além da mudança de endereço. Profissionais, empresários e investidores estão reorganizando projetos de vida, carreiras e estruturas empresariais em busca de segurança jurídica, previsibilidade econômica, educação para os filhos, acesso a novos consumidores e possibilidade de receber em uma moeda estável.
“Os Estados Unidos continuam atraindo pessoas que desejam transformar experiência profissional, formação acadêmica ou trajetória empresarial em um projeto internacional. Eu acompanho profissionais de diferentes áreas que não querem simplesmente deixar o Brasil. Eles desejam construir uma presença legal e sustentável no mercado americano”, explica o advogado.
Planejamento deve começar antes da mudança
A saída fiscal é apenas uma das etapas de um projeto internacional. Antes de transferir a residência ou abrir uma empresa nos Estados Unidos, é necessário avaliar qual caminho imigratório corresponde ao perfil profissional, à estrutura do negócio e aos objetivos da família.
A análise considera aspectos como formação acadêmica, experiência profissional, reconhecimento na área de atuação, capacidade de investimento, estrutura empresarial, origem dos recursos, composição familiar e prazo disponível para a mudança.
“O erro mais comum é começar pela mudança e deixar o planejamento imigratório para depois. Eu recomendo fazer o caminho inverso: primeiro analisar o perfil, identificar uma estratégia juridicamente possível e somente então organizar as etapas profissionais, empresariais, patrimoniais e fiscais. Ter dinheiro para investir ou uma boa carreira não significa que qualquer visto atenderá ao caso”, orienta.