10 de agosto de 2026 às 14:00
Atualizado em 10 de agosto de 2026 às 13:13
Oito em cada dez advogados na América Latina utilizam alguma ferramenta de inteligência artificial (IA) semanalmente. O índice chega a 84%, segundo recorte do estudo Future of Professionals 2026, realizado pela Thomson Reuters com profissionais do setor jurídico e divulgado nesta segunda-feira (10/8) pelo jornal Valor Econômico.
Embora o levantamento abranja toda a América Latina, os dados refletem principalmente a realidade brasileira, devido à maior representatividade estatística dos profissionais jurídicos do país, explicou Rodrigo Hermida, vice-presidente do segmento de Legal Professionals para a região na Thomson Reuters. Especialistas alertam, porém, que, apesar da ampla adoção da IA, gargalos em seu uso podem comprometer o trabalho das empresas.
O primeiro ponto preocupante mostrado pela pesquisa é que só 48% dos entrevistados têm acesso a ferramentas desenvolvidas especificamente para o ambiente profissional. Ao menos 34% admitiram ter usado ferramenta de IA não aprovada por suas organizações — a chamada “shadow AI”.
Outro problema importante na adoção de IA pelos escritórios é a grande diferença entre a expectativa dos profissionais e o que as ferramentas são capazes de entregar. Pelo levantamento da Thomson Reuters, 87% dos entrevistados acreditam que essa lacuna existe e 26% considerariam deixar seus escritórios nos próximos dois anos se a empresa não conseguir cobrir esse “gap”.
Pesquisa da AASP
Os dados vão ao encontro de outra pesquisa semelhante, realizada pela Associação dos Advogados (AASP) e divulgada no mês passado. O levantamento revelou que 87,4% dos advogados consultados declararam que já utilizam alguma ferramenta de inteligência artificial em sua atividade profissional e que 85% reconhecem a necessidade de capacitação específica para utilizar essas ferramentas de forma adequada na prática jurídica.