Novos tempos

Oito em cada dez advogados da América Latina usam IA no trabalho, mostra estudo

Levantamento da Thomson Reuters, divulgado pelo jornal Valor Econômico, mostra que 84% dos profissionais jurídicos da América Latina recorrem semanalmente a ferramentas de inteligência artificial

Inteligência artificial. Foto: Freepik
Foto: Magnific

Oito em cada dez advogados na América Latina utilizam alguma ferramenta de inteligência artificial (IA) semanalmente. O índice chega a 84%, segundo recorte do estudo Future of Professionals 2026, realizado pela Thomson Reuters com profissionais do setor jurídico e divulgado nesta segunda-feira (10/8) pelo jornal Valor Econômico.

Embora o levantamento abranja toda a América Latina, os dados refletem principalmente a realidade brasileira, devido à maior representatividade estatística dos profissionais jurídicos do país, explicou Rodrigo Hermida, vice-presidente do segmento de Legal Professionals para a região na Thomson Reuters. Especialistas alertam, porém, que, apesar da ampla adoção da IA, gargalos em seu uso podem comprometer o trabalho das empresas.

O primeiro ponto preocupante mostrado pela pesquisa é que só 48% dos entrevistados têm acesso a ferramentas desenvolvidas especificamente para o ambiente profissional. Ao menos 34% admitiram ter usado ferramenta de IA não aprovada por suas organizações — a chamada “shadow AI”.

Outro problema importante na adoção de IA pelos escritórios é a grande diferença entre a expectativa dos profissionais e o que as ferramentas são capazes de entregar. Pelo levantamento da Thomson Reuters, 87% dos entrevistados acreditam que essa lacuna existe e 26% considerariam deixar seus escritórios nos próximos dois anos se a empresa não conseguir cobrir esse “gap”.

Pesquisa da AASP

Os dados vão ao encontro de outra pesquisa semelhante, realizada pela Associação dos Advogados (AASP) e divulgada no mês passado. O levantamento revelou que 87,4% dos advogados consultados declararam que já utilizam alguma ferramenta de inteligência artificial em sua atividade profissional e que 85% reconhecem a necessidade de capacitação específica para utilizar essas ferramentas de forma adequada na prática jurídica.

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