Namorados, Santo Antônio e... planejamento patrimonial

Namoro, casamento e patrimônio: o debate que está entrando na pauta dos casais

Participação em investimentos e ativos tem levado casais a incluir questões patrimoniais em conversas sobre construção de patrimônio

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foto: pxhere

Junho é tradicionalmente associado ao amor. Além do Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho, o mês também abriga, no dia seguinte, o Dia de Santo Antônio, popularmente conhecido como o “santo casamenteiro”. Enquanto muitos casais planejam o futuro a dois, cresce também o interesse por um tema que até pouco tempo era restrito a famílias: o planejamento sucessório e a proteção patrimonial.

O aumento da participação de brasileiros em investimentos financeiros, imóveis, empresas familiares e ativos nacionais e internacionais tem levado casais a incluir questões patrimoniais nas conversas sobre projetos de vida, filhos e construção de patrimônio. O objetivo não é apenas acumular bens, mas garantir que eles sejam administrados, protegidos e transmitidos de forma organizada ao longo do tempo.

Segundo Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, a mudança reflete uma nova visão sobre patrimônio e governança familiar.

“Durante muito tempo, planejamento sucessório foi associado apenas a grandes fortunas. Hoje, famílias com diferentes perfis patrimoniais percebem que organizar a sucessão não é apenas uma questão financeira, mas uma forma de preservar objetivos familiares, reduzir conflitos e garantir maior previsibilidade para as próximas gerações”, afirma.

A importância de começar cedo

O especialista observa que o momento ideal para iniciar esse tipo de planejamento é justamente quando tudo está em ordem.

“Muitas pessoas acreditam que sucessão é um tema para ser tratado apenas mais tarde, mas a realidade é que eventos inesperados podem acontecer em qualquer fase da vida. Quanto mais cedo a família organiza sua estrutura patrimonial, maiores são as possibilidades de construir soluções eficientes do ponto de vista jurídico, tributário e sucessório”, explica.

Investimentos no exterior

A discussão ganha relevância ainda maior entre famílias que possuem investimentos fora do Brasil. Com a crescente internacionalização do patrimônio dos brasileiros, ativos mantidos em outros países passaram a exigir atenção especial no planejamento familiar.

“A presença de investimentos internacionais adiciona um nível maior de complexidade. Cada país possui regras próprias relacionadas à sucessão, tributação e transferência de patrimônio. Sem uma estrutura adequada, a família pode enfrentar custos adicionais, conflitos entre legislações e processos sucessórios em diferentes jurisdições”, destaca Murta.

Holding patrimonial

Para evitar esses riscos, famílias vêm recorrendo a instrumentos como holdings patrimoniais, acordos societários, mecanismos de governança familiar, estruturas internacionais e planejamentos sucessórios realizados de forma preventiva. O objetivo dessas estruturas não é apenas reduzir custos futuros, mas criar regras claras para administração, proteção e transmissão do patrimônio, contribuindo para preservar ativos e reduzir potenciais conflitos entre herdeiros.

Na avaliação do especialista, o principal benefício do planejamento patrimonial está na previsibilidade.

“Quando a família define previamente como o patrimônio será administrado e transmitido, reduz significativamente os riscos de disputas, insegurança jurídica e custos inesperados. Mais do que organizar bens, trata-se de construir mecanismos que garantam continuidade, proteção patrimonial e estabilidade para as próximas gerações”, conclui Adriano Murta.