Endurecer penas não resolve: o risco de mais uma lei simbólica
Experiência demonstra que leis casuísticas raramente entregam aquilo que prometem
Opinião
Esse “recomeço coletivo” coloca o mercado diante de uma rara oportunidade. Com regras ainda em transição, muitos partem praticamente do mesmo ponto
*Por Daniel Guimarães
Desde o início de sua implementação gradual, em 1º de janeiro de 2026, a Reforma Tributária brasileira tem sido tratada, em grande parte, como uma questão estritamente fiscal. No entanto, limitar o debate aos impactos sobre arrecadação e carga tributária é ignorar uma transformação muito mais profunda. Na prática, o que está em curso é um redesenho silencioso do mercado de trabalho.
Profissionais tradicionalmente ligados à área tributária, como advogados, contadores e consultores, já começam a sentir os efeitos dessa mudança. Não se trata apenas de aprender novas regras ou adaptar cálculos. A reforma impõe uma revisão estrutural das funções exercidas por esses profissionais, exigindo novas competências e, ao mesmo tempo, abrindo portas inéditas em um cenário ainda em formação.
Um dos pontos mais marcantes dessa transformação está na mudança dos critérios de valorização profissional. O conhecimento acumulado ao longo de anos sobre tributos tradicionais tende a perder seu peso como diferencial competitivo. Isso rompe uma lógica histórica: a experiência consolidada deixa de ser, por si só, uma vantagem decisiva. Em contrapartida, cria-se um ambiente mais equilibrado, no qual novos profissionais podem disputar espaço em condições mais próximas.
Esse “recomeço coletivo” coloca o mercado diante de uma rara oportunidade. Com regras ainda em transição, muitos partem praticamente do mesmo ponto. Aqueles que se anteciparem, mergulhando desde já nessas novas diretrizes, terão a chance de construir expertise com rapidez, acompanhar a evolução do sistema em tempo real e se posicionar como referência em um campo ainda pouco explorado.
O país vive apenas o início de uma transição que deve se estender por anos e que ainda não foi plenamente compreendida. Mais do que uma mudança tributária, trata-se de uma transformação estrutural, operacional e cultural dentro das empresas. Ignorar essa transformação poderá significar a perda de relevância. Contudo, quem entender esse movimento, poderá redefinir sua trajetória profissional.
A Reforma Tributária tende a impactar diretamente a forma como as empresas organizam suas operações. Isso amplia o campo de atuação dos especialistas, que passam a atuar não apenas no cumprimento de suas obrigações, mas também nas frentes estratégicas em áreas como revisão de contratos, análise de créditos tributários, definição de preços e avaliação de fornecedores. O profissional técnico dá lugar, gradualmente, a um perfil mais analítico e estratégico.
Nesse contexto, a grande questão não é se haverá mudanças — elas já estão acontecendo — mas em quem estará preparado para aproveitá-las. A Reforma Tributária, longe de ser apenas um desafio, pode se tornar a maior janela de oportunidade de carreira das últimas décadas.
A diferença estará entre aqueles que resistirem à mudança e aqueles que decidirem liderá-la.
*Daniel Guimarães é advogado tributarista
Experiência demonstra que leis casuísticas raramente entregam aquilo que prometem
Por João Eduardo Diamantino
Advogados não podem cair em descrédito em razão de descaminhos. A advocacia, na qualidade de instituição, precisa reagir