Para líderes empresariais, mercado de trabalho não se sustenta com o fim imediato da escala 6×1
Debate ocorreu na última edição do Conecta TMC, dedicado a facilitar encontros e diálogos produtivos entre sociedade, empresas, autoridades e governos
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22 de agosto de 2026 às 08:00Atualizado em 21 de agosto de 2026 às 11:34
Crédito: Quilha Studio / Kim Koeche / Divulgação TMC
Líderes empresariais e especialistas se reuniram na noite da última segunda-feira (17/8), em São Paulo, para debater temas em alta na agenda corporativa: os impactos da inteligência artificial e as implicações do fim imediato da escala 6×1, pauta impulsionada pelo avanço de propostas de redução da jornada de trabalho na Câmara dos Deputados e no Senado. As conversas fizeram parte da última edição do Conecta TMC, braço de negócios da TMC (Transamerica Media Company), dedicado a facilitar encontros e diálogos produtivos entre sociedade, empresas, autoridades e governos.
No painel “Escala 6×1 e os desafios da economia brasileira”, a discussão abordou pontos a se levar em conta quando se fala em redução da jornada laboral, desde a preocupação com a qualidade de vida dos trabalhadores até impactos sobre a produtividade, inflação, competitividade, pequenos negócios e serviços públicos. A conversa também destacou a necessidade de transição, previsibilidade e análise setorial antes de qualquer mudança estrutural nas regras trabalhistas.
Crédito: Quilha Studio / Kim Koeche / Divulgação TMC
“É preciso analisar a realidade brasileira, com taxa de juros elevada e persistente há muito tempo, alta dívida, falta de mão de obra para vários setores, como bares, restaurantes, o varejo e construção civil. E a colocação do assunto em ano eleitoral e em ritmo de urgência, sem o debate necessário, não parece correto tanto para o lado do trabalhador, quanto para o lado daqueles que que geram empregos”, afirmou Vander Giordano, conselheiro da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O executivo alerta que é preciso prever de onde viriam recursos para poder fechar a conta. Ele lembra, por exemplo, que após uma reforma trabalhista, os tribunais retrocederam em alguns pontos, o que gerou aumento no volume de reclamações.
Para Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, o principal problema atualmente no mercado de trabalho é a baixa produtividade. “Quando a gente observa a experiência internacional, geralmente as nações ficam ricas para depois reduzir jornada”, disse. “O Brasil está envelhecendo muito rapidamente. De acordo com o IBGE, a partir de 2036 começa a faltar mão de obra, mas a falta de profissionais qualificados já é sentida hoje.”
Outro aspecto abordado foi o da sustentabilidade social e econômica da mudança. Karina D’Ornelas, executiva de Sustentabilidade e Relações Governamentais da Riachuelo, defendeu que, em um país marcado por desigualdades profundas, a discussão sobre redução da jornada precisa considerar mobilidade social, emprego formal, educação e estabilidade econômica. “Para você ter qualidade de vida, precisa conseguir ter mobilidade social. O que isso representa? Emprego formal, educação e uma economia real minimamente estabilizada”, afirmou.
Felipe Magrim, diretor de Políticas Públicas do iFood, lembrou haver atualmente no Brasil mais de 3,5 milhões de trabalhadores que trabalham por meio de plataformas e defendeu que a flexibilidade desse modelo seja acompanhada de algum tipo de proteção social
Inovação e Inteligência Artificial
No painel “IA e Emprego: Como a Inteligência Artificial está transformando profissões e criando novas oportunidades”, Fabio Coelho, presidente do Google Brasil, lembrou de uma greve de bancários em meados dos anos 80 contra a chegada de caixas eletrônicos para ilustrar como novidades, num primeiro momento, podem causar estranhamento e protestos. “Chega num ponto tal que existe uma complementaridade. Nós somos complementados pelas máquinas hoje o tempo todo”. Com uma visão otimista, ele vê nos próximos anos um aumento enorme de produtividade advindo da inteligência artificial. “Essa produtividade vai gerar abundância em coisas que são relevantes para o planeta, para a sociedade humana.”
Crédito: Quilha Studio / Kim Koeche / Divulgação TMC
Ao falar de sua experiência com o varejo, Alexandra Belo Mendonça, account & strategy director retail e VP da Salesforce, citou exemplos de empresas que usam agentes autônomos para ganhar eficiência e potencializar vendas. Ela destacou que a governança desse processo é humana. “No SXSW desse ano, todos esperavam só se falar de IA. E só se falou sobre soft skills, inteligência humana”. Para a executiva, a inteligência artificial deve assumir a demanda repetitiva, abrindo espaço para que profissionais desenvolvam capacidades humanas.
Ricardo Cavalini, global faculty da Singularity University, diz que há diferentes cenários entre quem ainda está fazendo transformação digital e quem já trabalham com o cenário há mais tempo.
A mediação dos painéis ficou a cargo de Joana Treptow e Guilherme Ravache, da TMC.