26 de outubro de 2026 às 14:01
A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Capital deferiu, na sexta-feira (23), que a Ri Happy, maior varejista de brinquedos do Brasil, e de outras cinco empresas que fazem parte do mesmo grupo (PBKids, Partout, New Toys, Brincar e Divertudo), avance com os próximos passos do seu pedido de recuperação extrajudicial. A dívida do grupo envolvida no plano é de R$ 827,4 milhões, de créditos sem garantia real (quirografários). O pedido havia sido feito à Justiça paulista no dia 18, menos de 50 dias depois de a BluSun Capital Partners ter assumido o controle da companhia, adquirindo 100% da varejista do fundo SPX Capital. Cabe recurso da decisão.
A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira considerou que os requisitos legais para o início do procedimento foram atendidos.
A empresa já entrou no pedido com adesão de credores que representam R$ 308,8 milhões, o equivalente a 42,38% dos créditos sujeitos ao plano. Cada uma das empresas do grupo terá prazo de 90 dias para obter o apoio adicional restante, completando a maioria dos credores, e de 180 dias de suspensão de todas as ações e execuções relativas às dívidas incluídas no plano, com término em abril do ano que vem. O grupo vai poder, nesse período, renegociar as dívidas diretamente com os credores, com condições como prazos e descontos, conforme o plano submetido à homologação judicial. Aprovado o plano pelo quórum legal, seus efeitos podem alcançar também os credores que não concordarem com a recuperação extrajudicial.
“A blindagem patrimonial visa assegurar ambiente negocial protegido, obstando atos expropriatórios individuais desordenados que esvaziem a empresa ou inviabilizem o plano antes de sua apreciação coletiva, resguardando o princípio da preservação da atividade e a paridade concursal”, afirmou a juíza em seu despacho.
Crise de longa data
O grupo disse no pedido apresentado no dia 18 que a crise financeira enfrentada pelas empresas decorre de uma combinação de fatores que juntam desde os efeitos da pandemia e dos juros elevados à mudança no comportamento dos consumidores, que migraram para plataformas chinesas como Shopee e AliExpress — dados da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) citados no pedido afirmam que os brinquedos importados principalmente da China foram 75,8% dos produtos vendidos no país em 2025.
A Ri Happy alega que o atual patamar de custo anual do serviço da dívida, na casa de R$ 70 milhões, inviabilizou a gestão financeira do grupo, cuja receita líquida média anual é de R$ 1,2 bilhão. O grupo já havia feito uma renegociação de dívidas anterior com nove bancos, em 2023, envolvendo R$ 289 milhões, e recebido um aporte de R$ 75 milhões do fundo norte-americano Carlyle, que já controlou a Ri Happy.
A rede de brinquedos tem 292 lojas, entre unidades próprias e franquias.
Em maio último, a fabricante de brinquedos Estrela já havia pedido recuperação judicial na Justiça mineira para renegociar uma dívida de R$ 109 milhões.
Entre os maiores credores da Ri Happy estão o fundo Carlyle, com R$ 100 milhões em créditos, o Banco do Brasil e o Santander, com R$ 94 milhões e R$ 58,5 milhões, respectivamente, as fabricantes de brinquedo Mattel e Hasbro, com R$ 54 milhões e R$ 50 milhões.
Início do processo
A juíza Tainá de Oliveira autorizou a consolidação processual, permitindo que os pedidos das seis empresas tramitem em conjunto, mas negou a consolidação substancial, forçando cada empresa do grupo a comprovar a adesão da maioria de seus próprios credores ao plano de recuperação.
A decisão também nomeou Ricardo de Moraes Cabezón como administrador judicial, responsável por fiscalizar o procedimento e verificar as adesões. Comprovada a maioria dos credores, será publicado edital para que eventuais discordantes apresentem contestações em 30 dias. Encerrada essa etapa, a Justiça decidirá sobre a homologação do plano.
O Ministério Público de São Paulo opinou favoravelmente ao pedido, atestou o cumprimento do quórum e recomendou a realização de perícia.
Processo nº 4203794-60.2026.8.26.0100.