26 de outubro de 2026 às 17:12
Meros 34.330 votos foram registrados depois das 17h deste domingo (25/10), segundo dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta segunda-feira (26/10). Eles representam 0,27 milésimos — 0,000276 — dos 124 milhões de votos válidos dados ao presidente Lula (PT) ou ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença a favor de Lula sobre Flávio, de 4,4 milhões de votos, foi 129 vezes maior.
Na prática, isso sugere que o eventual impacto da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação em duas horas (até as 19h) sobre o resultado das eleições foi nulo: a vantagem expressiva de Lula pode ter acontecido por várias razões, mas não por causa do horário expandido, e certamente a manutenção do horário em 17h não salvaria o senador da derrota.
Por que o STF estendeu o horário da votação?
Zanin atendeu a um pedido da campanha do presidente Lula protocolado no STF, ainda na tarde de domingo, para que o horário de votação fosse estendido por duas horas em todo o território nacional, com base em problemas com a disponibilidade de ônibus em vários municípios do país, incluindo São Paulo e Salvador (BA).
A campanha petista apelou ao STF porque o mesmo pedido foi feito horas antes ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, mas faltando pouco tempo para o fechamento das seções, o tribunal permaneceu inerte. Sorteado relator, Zanin, acatou a solicitação já após às 17h e determinou a extensão — o que acabou tumultuando ainda mais o processo, já que muitas das seções eleitorais país afora já haviam sido encerradas.
A campanha de Flávio também pediu a prorrogação do término do pleito, mas restringiu o pedido às cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, por causa da chuva.
Sem aceitação
Ainda no domingo, Flávio Bolsonaro disse que era “impossível aceitar o resultado dessas eleições” em seu breve pronunciamento, ao lado de toda a cúpula da sua campanha, depois do encerramento da eleição e do primeiro pronunciamento de Lula, e afirmou que pedirá a anulação das eleições. Ele chamou de “sacanagem” a decisão de Zanin de prorrogar o horário da votação.
“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo, no meio do jogo, às 17 horas e um minuto”, disse Flávio.
O senador derrotado acompanhou a apuração de comitê de campanha em Brasília, um imóvel de propriedade do advogado Vicente Santini, eleito suplente no Senado por São Paulo na chapa de Guilherme Derrite. Ele estava ladeado, entre outros, pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).
“Tem muita coisa para ser esclarecida antes que o Brasil simplesmente reconheça essa sacanagem que ocorreu agora nas eleições”, continuou.