Eleições 2026

Tarcísio, Haddad e mais cinco: saiba quem são os candidatos a governador de São Paulo

Ao todo, sete candidatos disputam o Palácio dos Bandeirantes; Carlos Machado, Izadora Dias, Vera Lúcia e Vivian Mendes compõem a cacofonia da esquerda; Policial Edjane faz figuração pela direita

São Paulo tem sete candidatos registrados para o governo do Estado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A disputa reproduz a polarização nacional e se concentra entre dois polos: PT e o bolsonarismo. Em São Paulo, a corrida é encabeçada pelo atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição e por Fernando Haddad (PT), ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Fazenda.

As pesquisas mais recentes dão a Tarcísio entre 45% (Datafolha, 24/8) e 51% (Ideia/Valor, 10/8), contra 34% de Haddad, o que indica chance de decisão em primeiro turno. A disputa marca a ausência histórica do PSDB, que comandou o Palácio dos Bandeirantes por 28 anos e, pela primeira vez desde 1994, não lança candidato próprio.

Veja abaixo quem são os candidatos a governador de São Paulo

 

Foto: Divulgação

Tarcísio de Freitas (Republicanos)

Tarcísio Gomes de Freitas, 51 anos, nasceu em 19 de junho de 1975 no Rio de Janeiro. É casado com Cristiane Ferreira da Silva Freitas e tem dois filhos. Antes da política partidária, construiu sólida carreira como técnico de Estado. Formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), serviu como oficial do Exército e, em 2002, concluiu engenharia civil pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), atuando como engenheiro da corporação.

Entrou na administração federal como auditor de carreira da Controladoria-Geral da União (CGU), onde atuou na área de transportes, e foi levado em 2011, no governo Dilma Rousseff (PT), para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Em setembro de 2014, substituiu o general Jorge Fraxe na direção-geral da autarquia, ficando até janeiro de 2015. Começou a construir sua fama de bom executor, mas deixou o cargo para ser consultor legislativo de concursado da Câmara dos Deputados.

A fama de “gestor técnico” foi forjado no período Temer. Já em 2016, Tarcísio foi nomeado secretário de Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o órgão criado por Temer para tocar privatizações, concessões e desestatizações, atuando dentro da estrutura que respondia à Secretaria-Geral da Presidência, então sob o comando de Moreira Franco, e foi ali que ele se consolidou como o gestor das concessões de aeroportos, portos, ferrovias e rodovias.

Foi com esse currículo que, em novembro de 2018, o presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou, ele mesmo, pelo X (ex-Twitter), a escolha de Tarcísio para o recém-criado Ministério da Infraestrutura, que fundiu as pastas de Transportes, Portos e Aviação Civil. O mesmo Tarcísio que aprendeu o negócio de infraestrutura no Dnit petista passou pelo PPI de Temer como vitrine das concessões e chegou ao ministério de Bolsonaro como o nome técnico já testado na agenda que o novo governo queria acelerar. Nesse período, concentrou a agenda de concessões, desestatizações e leilões de malhas rodoviárias e ferroviárias.

Filiou-se ao Republicanos em 2022, sua primeira e única legenda partidária, e estreou nas urnas naquele pleito, derrotando Fernando Haddad no segundo turno para sagrar-se governador. No Palácio dos Bandeirantes, sua administração teve como marcas a desestatização e as concessões de infraestrutura, com destaque para a alienação do controle da Sabesp em 2024. Embora cotado para concorrer ao Palácio do Planalto no campo conservador, a definição de Flávio Bolsonaro como candidato presidencial consolidou seu projeto de reeleição estadual. A chapa tem Felicio Ramuth (MDB) como vice-governador.

Foto: Ricardo Stuckert

Fernando Haddad (PT)

Fernando Haddad, 63 anos, nasceu em 25 de janeiro de 1963 em São Paulo, de família de origem libanesa. É casado desde 1988 com a dentista e professora Ana Estela Haddad, com quem tem dois filhos. Advogado e docente titular da Universidade de São Paulo (USP), possui mestrado em Economia e doutorado em Filosofia também pela USP. É filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1983, sua única agremiação ao longo de sua trajetória.

Notabilizou-se como o mais longevo ministro da Educação da história brasileira, exercendo o cargo nos governos Lula 1 e 2 e no início da gestão Dilma Rousseff, entre 2005 e 2012. À frente do Ministério da Educação (MEC), formulou e implementou o Programa Universidade para Todos (ProUni), viabilizando o ingresso de milhões de bolsistas no ensino superior privado, além de liderar a ampliação da rede federal de ensino técnico e a estruturação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como mecanismo unificado de acesso universitário. Elegeu-se prefeito de São Paulo em 2012, cumprindo mandato de 2013 a 2016 com foco em mobilidade urbana, ciclovias e modernização administrativa, e foi derrotado na tentativa de reeleição, na esteira do impeachment de Dilma, em 2016, derrotado por João Doria (então no PSDB) no primeiro turno.

Disputou a Presidência da República em 2018, alcançando o segundo turno — perdeu para Bolsonaro —, e o governo de São Paulo em 2022 — perdeu para Tarcísio. Com o início do terceiro mandato de Lula em 2023, assumiu o Ministério da Fazenda, onde coordenou a aprovação da emenda constitucional da Reforma Tributária sobre o consumo e a política de isenção de Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil. Afastou-se da pasta ministerial com a missão de oferecer palanque no estado para o presidente Lula, liderando a chapa progressista em São Paulo, em aliança que conta com o ex-governador Márcio França (PSB) como vice em sua quinta disputa majoritária.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

Carlos Machado (PCB)

Carlos Alberto Machado, 41 anos, nasceu em 2 de março de 1985 em Franca, no interior do estado de São Paulo, cidade onde viveu sua formação inicial. É solteiro, atua como professor da rede pública estadual de ensino médio e é historiador por formação. Iniciou sua atuação política no movimento estudantil secundarista paulista, culminando na diretoria da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES) entre 2004 e 2006, período marcado por mobilizações setoriais e debates sobre financiamento da educação.

Posteriormente, integrou a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e exerceu funções como educador popular no Instituto Paulo Freire, centrado em alfabetização e formação política para trabalhadores. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), legenda na qual sempre esteve inserido, teve seu nome homologado pela convenção estadual após a retirada da pré-candidatura de Camilo Terra.

Sua única participação em disputas eleitorais anteriores deu-se no pleito municipal de 2024, quando concorreu ao cargo de vice-prefeito de Franca, sem êxito. Sem nunca ter exercido mandatos representativos eletivos, estreia nas disputas majoritárias estaduais defendendo a reestatização de serviços privatizados, a ampliação dos investimentos estatais em serviços básicos e a revogação de concessões públicas, compondo chapa pura com o correligionário Felipe Queiroz.

Foto: Divulgação

Izadora Dias (PCO)

Izadora Cristina Dias da Silva, 31 anos, nasceu em 13 de janeiro de 1995 no município de Barra Bonita, interior paulista. É solteira, autodeclara-se parda perante a Justiça Eleitoral e figura como a candidata mais jovem na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. Sua trajetória é integralmente no Partido da Causa Operária (PCO), ao qual se filiou em 2018 durante os atos públicos em defesa da liberdade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Graduanda em Letras pela USP, desenvolve atividades editoriais como articulista regular do jornal Diário Causa Operária e apresentadora na grade da TV Causa Operária. Paralelamente, exerce a coordenação do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, braço de atuação feminista e classista ligado ao partido, articulando campanhas de formação política e mobilização operária.

Participou de duas disputas proporcionais prévias: em 2020 concorreu a uma cadeira na Câmara Municipal de Barra Bonita (com registro indeferido) e, em 2022, postulou mandato de deputada federal por São Paulo. Sem bens declarados ao TSE, formaliza sua primeira candidatura majoritária estadual baseada em bandeiras anti-imperialistas e socialistas, integrando chapa pura ao lado do professor Nivaldo Orlandi (PCO).

Foto: Divulgação

Policial Edjane (Agir)

Edjane Lima de Sousa, 49 anos, é natural de Surubim, no agreste de Pernambuco, com carreira profissional toda no estado de São Paulo. É casada, possui formação de nível médio e atua como policial militar ativa nos quadros da segurança pública paulista. Sua vida partidária apresenta o perfil de maior rotatividade entre os concorrentes ao Executivo paulista, acumulando passagens sucessivas por PTB, PROS e PL.

Disputou três pleitos proporcionais anteriores em diferentes legendas partidárias: candidatou-se ao cargo de vereadora na capital paulista em 2020, buscou uma cadeira de deputada federal em 2022 e concorreu ao legislativo municipal de Poá em 2024, alcançando a suplência, mas sem ter exercido mandatos parlamentares efetivos.

Filiada ao Agir (antigo PRN), apresenta sua primeira candidatura ao Palácio dos Bandeirantes em chapa sem coligações, registrando formalmente a professora Nayr Duarte (Agir) como vice. O registro eleitoral encontra-se pendente de homologação definitiva pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). A campanha ainda é independente e sem acesso ao fundo eleitoral majoritário.

Foto: Divulgação

Vera Lúcia (PSTU)

Vera Lúcia Pereira da Silva Salgado, 58 anos, nasceu em 12 de setembro de 1967 em Inajá, no sertão pernambucano, transferindo-se na infância para Aracaju. É casada e autodeclara-se preta perante a Justiça Eleitoral, figurando como a única mulher negra na disputa paulista. Começou a trabalhar aos 14 anos, ingressando aos 19 como operária calçadista, participando a partir de então em disputas sindicais. Depois, graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), exercendo a atividade de socióloga.

Iniciou sua militância partidária no PT, do qual foi expulsa em 1992 por divergências políticas com as diretrizes majoritárias. Em 1994, participou ativamente da fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), legenda pela qual concorreu em todos os pleitos posteriores de sua carreira pública.

Acumula nove candidaturas oficiais registradas pelo TSE ao longo das últimas décadas: disputou mandatos de deputada federal (2006 e 2014), prefeita de Aracaju (2008, 2012 e 2016), prefeita de São Paulo (2020), governadora de Sergipe (2010) e presidente da República (2018 e 2022). A atual campanha ao governo paulista representa sua 11ª investida eleitoral, defendendo programa socialista revolucionário e a soberania operária. O registro ainda aguarda homologação pela Justiça eleitoral.

Foto: Divulgação

Vivian Mendes (UP)

Vivian Mendes da Silva, 45 anos, nasceu na zona leste de São Paulo, filha de trabalhadores operários da região metropolitana. É divorciada, graduada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e exerce a profissão na capital. Iniciou o ativismo político nas pastorais das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica, avançando para os movimentos por moradia urbana.

Exerceu a coordenação nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e foi uma das idealizadoras do Movimento de Mulheres Olga Benário, entidade de defesa de direitos sociais e proteção a mulheres em vulnerabilidade. É a presidente do diretório estadual da Unidade Popular (UP) em São Paulo desde a obtenção do registro partidário definitivo, em 2019, sendo a única agremiação de sua trajetória.

Concorreu em 2022 ao Senado Federal por São Paulo, sem êxito. Postula pela primeira vez a chefia do Poder Executivo paulista em chapa pura ao lado de Maria Cristina Damasio (UP), com plataforma centrada na defesa dos direitos à moradia digna, estatização do transporte público e combate a despejos e remoções forçadas.

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