Lei Maria da Penha

Nove em cada dez pedidos de medidas protetivas são analisados em até 48 horas

Dados compõem Diagnóstico Nacional Medidas Protetivas de Urgência no Contexto da Lei Maria da Penha, lançado na última semana pelo CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, na última quinta-feira (27/8), durante a XX Jornada Maria da Penha, o Diagnóstico Nacional Medidas Protetivas de Urgência no Contexto da Lei Maria da Penha. O estudo mapeia os fluxos adotados pelos Tribunais de Justiça para receber, analisar e encaminhar pedidos de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) e identifica gargalos e soluções para aprimorar a resposta judicial.

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Os dados mostram que 90% dos pedidos são analisados pelo Judiciário em até 48 horas. Em 53% dos casos, a decisão ocorre no mesmo dia do protocolo e, em 32%, em até um dia. Os números também revelam que entre janeiro e maio de 2026, 452.050 decisões relacionadas a MPUs foram proferidas pelo Judiciário.

“Nos 20 anos da Lei Maria da Penha, este diagnóstico nos ajuda a olhar para o que foi construído e para o que ainda precisamos aprimorar. Lançá-lo na Jornada significa colocar esses dados e essas experiências no centro do debate sobre os próximos passos do Judiciário”, afirma a conselheira do CNJ Jaceguara Dantas.

A análise foi realizada a partir de 27 reuniões técnicas com os 26 Tribunais de Justiça dos estados e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), além de documentos e informações fornecidos pelas cortes. O objetivo foi compreender os fatores que influenciam a tramitação dos pedidos e identificar práticas que contribuem para uma resposta mais rápida e efetiva.

Entre os principais pontos de atenção estão os plantões judiciais. Segundo o diagnóstico, 22 tribunais apontaram essa etapa como uma das principais dificuldades operacionais. Entre os problemas relatados estão a sobrecarga de magistradas e magistrados plantonistas, o acúmulo com outras demandas e a falta de especialização ou familiaridade para lidar com casos de violência doméstica e familiar.

O estudo também aponta dificuldades no registro e na classificação dos processos. O uso inadequado das Tabelas Processuais Unificadas (TPUs) e de movimentações que podem comprometer a qualidade das informações e dificultar o acompanhamento dos processos pela Base Nacional de Dados do Poder Judiciário (DataJud).

A comunicação entre as polícias e o Judiciário é outro desfio. Em alguns locais, o encaminhamento dos pedidos ainda depende do envio manual de documentos e informações. A falta de integração entre os sistemas pode acrescentar etapas ao fluxo e aumentar o tempo entre o registro da ocorrência e a chegada do pedido à unidade judicial.

Com informações do CNJ

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