Notícias

Selic em 15% encarece financiamento de imóvel

Financiamento pode pesar no bolso (Foto: Freepik)

Com a Selic mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em dezembro do ano passado, o setor imobiliário brasileiro enfrenta um dos momentos mais desafiadores das últimas duas décadas. A manutenção dos juros altos mantém o crédito imobiliário caro, limita a capacidade de compra das famílias e exige planejamento cuidadoso de quem deseja adquirir um imóvel.

Segundo o advogado Raphael Mançur, especialista em Direito Imobiliário, à frente do escritório Raphael Mançur Advogados Associados, financiar um imóvel no cenário atual implica assumir prestações mais altas e um custo total significativamente maior ao longo do contrato. “A taxa básica permanece no maior patamar em quase duas décadas, o que mantém o crédito imobiliário caro e reduz a capacidade de compra do consumidor”, afirma.

Diante desse contexto, cresce a dúvida entre financiar imediatamente ou aguardar uma possível queda dos juros. O especialista aponta que ambas as decisões envolvem vantagens e riscos que precisam ser avaliados caso a caso.

Negociações mais favoráveis

Apesar do encarecimento do crédito, Mançur avalia que o momento também pode abrir espaço para negociações mais favoráveis. “Há possibilidade de encontrar boas oportunidades, já que a demanda diminui com juros altos”, destaca. Com menos compradores ativos, vendedores tendem a se mostrar mais flexíveis em relação a preços e condições.

A avaliação é especialmente válida para quem tem urgência na compra ou encontrou um imóvel com características específicas. Nesses casos, a menor concorrência pode ampliar a margem de negociação. Além disso, existe a possibilidade futura de portabilidade de crédito, caso as taxas de juros recuem, permitindo a migração do financiamento para condições mais vantajosas.

Por outro lado, os riscos do financiamento no atual patamar de juros são relevantes. Mançur ressalta que o impacto financeiro se estende por muitos anos. “As parcelas iniciais mais altas comprometem a renda e o custo do crédito permanece pressionado enquanto a Selic está elevada”, alerta.

Em financiamentos de longo prazo, o efeito é ainda mais expressivo. Um contrato de 30 anos com juros entre 12% e 14% ao ano pode resultar em um valor total pago que chega a ser o dobro ou até o triplo do preço original do imóvel.

Perspectivas para 2026

Embora a Selic tenha sido mantida em 15%, as projeções do mercado apontam para um cenário potencialmente mais favorável no início deste ano. “O mercado projeta que a Selic possa iniciar um ciclo de queda entre janeiro e março de 2026, caso o cenário inflacionário e fiscal permita”, explica Mançur.

Para quem já identificou o imóvel desejado, mas prefere não assumir um financiamento nas condições atuais, o advogado aponta uma alternativa jurídica para viabilizar o negócio sem travar os juros elevados.

“Uma boa estratégia é negociar com o vendedor a assinatura de um Instrumento de Compromisso de Compra e Venda com prazo de três a quatro meses para formalizar o contrato definitivo. O comprador pode adiantar apenas a parte que pagaria com recursos próprios, garantindo o negócio sem assumir contratar o financiamento no atual momento com a taxa de juros mais elevada”, explica Mançur.

A estratégia permite reservar o imóvel enquanto o comprador aguarda uma eventual queda da Selic no primeiro trimestre deste ano. Caso o movimento de redução dos juros se confirme, o financiamento pode ser contratado em condições mais favoráveis, reduzindo o custo total da operação e evitando a perda do imóvel já escolhido.

Planejamento é decisivo

A decisão entre financiar agora ou esperar exige uma análise cuidadosa das condições pessoais de cada comprador. “É fundamental avaliar a urgência da compra, a capacidade financeira para arcar com parcelas mais altas e as perspectivas reais de queda da Selic no curto prazo”, orienta Mançur.

O especialista também recomenda a busca por orientação jurídica antes da assinatura de qualquer contrato. Um instrumento bem estruturado pode oferecer segurança jurídica e viabilizar estratégias que reduzam riscos financeiros.

Com a Selic em 15% e expectativas de queda concentradas apenas no início deste ano, o planejamento se torna decisivo. Uma escolha bem fundamentada pode representar economia de dezenas de milhares de reais ao longo de um financiamento imobiliário de longo prazo.

Deixe um comentário

Seu comentário será publicado após aprovação da redação. Campos obrigatórios são marcados com *.