Banho de Sol

‘Come hóstia hoje e faz merda amanhã’: Lula teria xingado ministros do STF na prisão

Em livro, ex-carcereiro do presidente na sede da PF de Curitiba relata supostos comentários ácidos do petista sobre diversos integrantes do Supremo

lula e carcereiro
Foto: Rickardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria feito críticas duras a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante os 580 dias em que permaneceu preso na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), entre 2018 e 2019. Os relatos constam do livro Banho de Sol, do policial federal Jorge Chastalo Filho, que atuou como carcereiro do petista naquele período. As informações são da coluna  Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo Chastalo, Lula demonstrava decepção especialmente com magistrados indicados por ele próprio ou pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT), sobretudo diante de decisões desfavoráveis à sua libertação e de restrições a entrevistas e julgamentos que poderiam anular sua condenação.

Entre os principais alvos das críticas do presidente estavam Cármen Lúcia, a quem teria chamado de “falsa humilde” e demonstrado ressentimento por sua postura no STF. Segundo o relato, o petista afirmou que ela havia prometido jamais esquecer a gratidão pela indicação à Corte: “agora está aí, fazendo merda”, teria dito o presidente.

Atual presidente do Supremo, Edson Fachin teria sido chamado de “filho da puta” e comparado a religiosos que “comem hóstia hoje, mas fazem merda amanhã”. Lula estaria irritado com a retirada de pauta de um habeas corpus que poderia resultar em sua libertação. Também teria criticado o afastamento de Fachin dos movimentos sociais aos quais era ligado antes de chegar ao Supremo.

O presidente também teria demonstrado indignação com a decisão de Luiz Fux de derrubar a autorização para que a Folha de S.Paulo e o jornal espanhol El País o entrevistassem na prisão. Segundo Chastalo, Lula afirmou que Fux frequentava cerimônias presidenciais “com cara de cachorro pidão” quando ainda buscava uma vaga no STF. “Nunca confiei nele”.

O livro cita ainda, segundo a coluna, que Lula teria afirmado que Gilmar Mendes e Celso de Mello (ministro de 1989 a 2020) eram exceções no STF porque tinham coragem, enquanto os demais magistrados seriam “boi do cu branco”.

O DeJur procurou as assessorias do STF e do presidente, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto a manifestações.

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