Fuga de Flávio Bolsonaro: saiba por quais crimes senador responde e se o ‘zero um’ pode ser preso
Procura-se | 29/10/2026
Em fuga
Reportagem do New York Times afirma que o governo Trump facilitou a entrada do senador nos EUA e articulou saída do senador do Brasil depois da ordem judicial para entrega de passaportes
A saída de Flávio Bolsonaro dos Brasil para os Estados Unidos após sua derrota na eleição presidencial contou com apoio direto do governo do presidente Donald Trump, segundo reportagem publicada pelo jornal norte-americano The New York Times nesta quinta-feira (29/10). De acordo com autoridades locais ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato, a Casa Branca participou da articulação que permitiu ao senador viajar para Miami, onde recebeu autorização especial para permanecer no país e deverá ter acesso facilitado à residência permanente.
Segundo o relato, Flávio deixou o Brasil horas depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes em razão de investigações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Depois de cruzar a fronteira com a Argentina, ele embarcou em um jato particular rumo aos Estados Unidos no aeroporto de Puerto Iguazú, na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. O voo, de acordo com o jornal americano, foi providenciado por Jason Miller, funcionário da Casa Branca e aliado de longa data da família Bolsonaro nos EUA.

(Miller reporta extensamente em sua conta no X, o antigo Twitter, a situação das eleições brasileiras, e publicou inclusive uma foto sua com Flávio numa convenção direitista nos EUA, além de citar reportagem da Folha sobre 106 urnas em que o candidato da direita zerou e Lula fez quase 15 mil votos, usada depois para sugerir a hipótese de fraude na eleição.)
Ao chegar a Miami, na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro e seus familiares foram admitidos em território norte-americano por meio do mecanismo migratório conhecido como parole, utilizado em casos considerados de interesse humanitário ou de relevante interesse público pelo governo dos EUA. Em declaração posterior, o próprio Trump confirmou que sua administração havia autorizado a entrada do senador brasileiro.
A reportagem afirma que autoridades americanas já trabalhavam para conceder vistos ao senador e à sua família antes mesmo da chegada ao país. Integrantes do governo também disseram ao Times que a expectativa é de que Bolsonaro solicite futuramente um green card, pedido que poderá tramitar de forma acelerada.
O episódio tem potencial para ampliar o desgaste diplomático entre Brasília e Washington. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já vinha acusando a administração Trump de interferir em assuntos internos brasileiros — um nacionalismo com feições antiamericanas, por oposição ao filoamericanismo de Flávio, virou um dos motes de mobilização da campanha de Lula, que apimenta seu discurso de soberania para a base de apoiadores mais ideológicos com um antitrumpismo explícito. A participação direta de integrantes da Casa Branca na retirada de um político investigado pela Justiça brasileira pode elevar ainda mais a tensão entre os dois países.
A vitória de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições encerradas no último domingo (25/10) já foram reconhecidas por observadores internacionais e por dezenas de governos estrangeiros. Desde então, o senador passou a alegar, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral, mas Flávio ficou sozinho também internamente, já que praticamente todos os partidos, inclusive o próprio PL, reconheceram formalmente a vitória do presidente.
Flávio Bolsonaro, ao desembarcar em Miami, publicou uma carta em que se apresentou inicialmente como “presidente eleito legítimo” do Brasil, alterando depois o texto para se declarar “líder do Brasil”.
O New York Times relata ainda a longa e conhecida proximidade entre os Bolsonaro e setores do governo Trump: o jornal fez um editorial no dia da eleição brasileira dizendo que o governo dos EUA deveria ficar fora da política brasileira. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio e filho “zero três”, vive atualmente no Texas e mantém interlocução frequente com integrantes da administração republicana. Segundo autoridades norte-americanas citadas pela reportagem, ele também recebeu residência permanente nos EUA por meio de um processo acelerado.
A fuga do senador brasileiro continua cercada de dúvidas. Embora autoridades argentinas afirmem que ele cruzou a fronteira pela região de Foz do Iguaçu acompanhado da família, a Polícia Federal brasileira declarou não possuir registro oficial de sua saída do país. A corporação investiga agora as circunstâncias do descumprimento da determinação judicial que exigia a entrega dos documentos de viagem.
A revelação de que a Casa Branca atuou para garantir a transferência de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos transforma um episódio, até então visto como uma questão doméstica, em um novo foco de atrito diplomático do governo Lula com o de Trump. Do ponto de vista norte-americano, o episódio coloca a administração Trump no centro de um debate sobre o alcance de sua atuação em apoio a aliados políticos estrangeiros que enfrentam investigações judiciais em seus países de origem.
Reeleito no último domingo (25/10), em uma virada histórica no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reverteu o resultado da primeira rodada em 211 cidades...
Tribunal do Júri realizado pela 1ª Vara do Júri da Capital condenou, nesta sexta-feira (30/10), Fernando Sastre de Andrade Filho a 17 anos, um mês e dez dias de...
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu na noite desta quinta-feira (29) devolver a relatoria das investigações sobre os descontos ilegais nos benefícios do INSS...