Direita lidera com folga em MG com ex-pagodeiro perseguido que virou campeão de votos em 10 anos
Cleitinho vendia verduras e queria ser músico, mas foi barrado nos bailes por políticos incomodados com críticas que fazia em shows; foi à forra e virou senador com 4,1 milhões de votos em 2022
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17 de setembro de 2026 às 16:00Atualizado em 17 de setembro de 2026 às 17:09
Minas Gerais tem 11 candidatos ao governo do Estado, dividindo o topo de pleito mais fragmentado com Piauí e Distrito Federal, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas é o líder inconteste entre as maiores unidades da federação.
Waldemir Barreto/Agência Senado
O governador em exercício Mateus Simões (PSD) disputa a permanência no cargo contra o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o ex-prefeito da capital Alexandre Kalil (PDT) e o ex-ministro Patrus Ananias (PT), além de outras sete candidaturas.
O cenário atual resultou da desincompatibilização de Romeu Zema (Novo) em março de 2026 para a corrida presidencial, aliada à decisão inédita do PSDB de não ter candidatura própria, compondo chapa com o PDT.
O candidato da direita, Cleitinho Azevedo, que já provou que é bom de voto e vai com folga na liderança, foi o único que avançou além da margem de erro na última pesquisa Datafolha, passando de 32% das intenções de voto no primeiro turno para 37%, contra 13% do petista Patrus Ananias e 11% de Kalil. Num eventual segundo turno, de acordo com as pesquisas mais recentes, arrebanha a eleição com folga também.
Veja quem são os candidatos a governador de Minas Gerais
Divulgação
Alexandre Kalil (PDT)
Alexandre Kalil, 67 anos, nasceu em Belo Horizonte, consolidando-se como empresário da construção pesada e da infraestrutura civil antes de formalizar sua transição definitiva para a cena político-partidária mineira. É casado com Ana Kalil, com quem construiu sua vida na capital mineira, e tem nível médio de escolaridade.
Ganhou notoriedade pública ao presidir o Clube Atlético Mineiro entre 2009 e 2014, período de reestruturação do clube e conquista do título inédito da Copa Libertadores da América em 2013. Filiou-se inicialmente ao PSDB em 2001, permanecendo na agremiação até 2013. Pelo PSB, tentou concorrer à Câmara dos Deputados em 2014, mas teve seu registro eleitoral indeferido à época.
Elegeu-se prefeito de Belo Horizonte em 2016 pelo extinto PHS e conquistou a reeleição em primeiro turno em 2020, já filiado ao PSD. Renunciou ao mandato municipal em 2022 para disputar o Palácio da Liberdade, sendo derrotado por Romeu Zema. Agora no PDT, encabeça aliança formalizada com a federação PSDB-Cidadania, tendo o ex-secretário de Saúde Carlos Mosconi (PSDB) como candidato a vice-governador.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
Cleiton Gontijo de Azevedo, conhecido como Cleitinho, 44 anos, nasceu em 1982 em Divinópolis, na região Centro-Oeste do estado. É casado, pai de dois filhos e tem só o ensino fundamental regular. Trabalhou vendendo verduras e frutas no sacolão de sua família e atuou como músico profissional em grupos de pagode regionais e tornou-se comerciante do varejo de alimentos. Cleitinho era conhecido como “Cleitinho Elétrico”, nome artístico que utilizava quando se apresentava.
Reprodução
Sua carreira política tem meros dez anos e começou no PPS (atual Cidadania), pelo qual elegeu-se vereador em Divinópolis em 2016. Dois anos depois, em 2018, foi o quarto deputado estadual mais votado do estado, com 115 mil votos. Projetou-se com vídeos gravados com o celular e publicados em redes sociais fiscalizando órgãos governamentais, pedágios e problemas em estradas, denunciando gastos e defendendo o corte de benefícios de funcionários públicos em tom indignado e linguagem simples e direta.
Em 2022, concorreu ao Senado Federal pelo PSC, sendo eleito com mais de 4,2 milhões de votos (41,5% dos votos) como o mais votado de Minas Gerais. Filiou-se em seguida ao Republicanos, e declarou apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Dá pouca bola para a pauta as guerras culturais. No Senado, discursou pelo fim da escala 6×1, contra as bets (e na cara da influenciadora Virgínia, com quem fez selfie e disse que só ela e as casas de apostas ganhavam com o jogo), defendeu a isenção de imposto para quem ganha menos de R$ 5 mil e ficou contra a tentativa de cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).
Foto: ALMG
Mateus Simões (PSD)
Mateus Simões de Almeida, 45 anos, é advogado, mestre em Direito Empresarial e professor universitário de carreira. Nasceu em 1981 em Gurupi, Tocantins, radicando-se em Belo Horizonte para terminar os estudos. É casado há mais de 18 anos com a jurista Christiana Noronha Renault de Almeida, presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas).
Disputou a Assembleia Legislativa em 2014 pelo PSDB, elegendo-se vereador de Belo Horizonte em 2016 pelo Novo. Em 2019, assumiu a secretaria geral de governo na gestão de Romeu Zema. Foi eleito vice-governador na chapa de Zema no pleito de 2022, coordenando articulações junto ao parlamento e ao funcionalismo.
Em novembro de 2025, migrou para o PSD, de olho na sucessão estadual. Em 22 de março de 2026, com a desincompatibilização de Romeu Zema para a eleição presidencial, tomou posse como governador, sendo o primeiro tocantinense a liderar o Executivo estadual. Concorre para se manter no cargo tendo Danilo de Castro (União Brasil) como candidato a vice-governador, defendendo a estabilidade fiscal e as diretrizes administrativas implementadas desde 2019.
Flávio Roscoe (PL)
Flávio Roscoe, 54 anos, nasceu em Belo Horizonte e é empresário do setor de confecções e têxteis, sendo sócio das companhias Colortextil, Itatextil e FTX. É casado com Dine Saliba Nogueira e tem formação superior em administração de empresas e gestão de negócios industriais.
Exerceu a presidência do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas de Minas Gerais por 16 anos consecutivos. De 2018 até o primeiro semestre de 2026, presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), liderando debates econômicos, tributários e de infraestrutura com o poder público, além de atuar na diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), órgãos dos quais se desincompatibilizou para ingressar na vida partidária.
Estreia nas disputas eleitorais filiado ao Partido Liberal (PL), assumindo o papel de palanque orgânico da legenda de Jair Bolsonaro no estado. Concorre em chapa pura ao lado da vereadora de Uberaba Ellen Miziara (PL), fundamentando sua campanha no fomento ao desenvolvimento industrial, desburocratização e atração de investimentos corporativos.
Ben Mendes (Missão)
Benoni Benjamin Cardoso Mendes, conhecido como Ben Mendes, 38 anos, é de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, é casado, tem três filhos e é presbiteriano. Fez direito na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), complementada por graduação em Jornalismo e matrícula ativa no curso de Medicina.
Ganhou visibilidade como comunicador e produtor de conteúdo nas redes sociais, reunindo expressiva audiência em canais digitais (1,8 milhão de seguidores no YouTube e 517 mil no Instagram) exibindo fiscalizações, mediações de conflitos de consumo e publicações com viés de direita e alinhamento conservador.
Sem atuação eleitoral prévia, estreia nas urnas pelo Partido Missão, criado em 2023. A candidatura é chapa pura e tem estrutura financeira restrita. O vice é o militar Cabo David Souza (Missão), com registro ainda dependente de deliberação conclusiva da Justiça Eleitoral mineira.
Gabriel Azevedo (MDB)
Gabriel Sousa Marques de Azevedo, 40 anos, nasceu em Belo Horizonte, é solteiro, advogado com mestrado em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), jornalista e professor de direito em instituições de ensino superior da capital. É filho de uma professora da rede pública e de um servidor público.
Foi do PSDB na juventude, trabalhando em assessorias institucionais. Em 2016, elegeu-se vereador de Belo Horizonte pelo PHS, e reeleito em 2020 pelo Patriota (do Cabo Daciolo). No biênio 2023-2024, exerceu a presidência da Câmara da capital mineira, marcando seu mandato por debates institucionais sobre o transporte público e o orçamento.
Concorreu à prefeitura da capital em 2024 pelo MDB, ficando na quarta colocação. Lança-se na corrida ao Palácio da Liberdade em chapa própria do MDB, tendo Maria Helena Lopes (MDB) como candidata a vice-governadora, contando com o eleitorado de centro e enfrentando a falta de conhecimento sobre ele no interior do estado.
Henrique Áreas (PCO)
Henrique Areas de Araujo, 41 anos, nasceu em 18 de maio de 1985 em Ribeirão Preto, no interior do estado de São Paulo. É solteiro, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atua como jornalista, revisor e redator político, compondo o comitê nacional de liderança do Partido da Causa Operária (PCO).
Começou na vida política nas lutas sindicais dos Correios na base de Ribeirão Preto no início dos anos 2000, ingressando na direção das agremiações sindicais e nas publicações editoriais operárias do partido.
Concorreu em três eleições prévias em São Paulo pelo PCO: disputou a prefeitura de São Paulo em 2016, uma vaga de deputado federal em 2018 e o cargo de vice-prefeito em 2020. Transferiu seu domicílio para Minas para capitanear a chapa ao Executivo estadual. Sua candidatura encontra-se sob indeferimento com recurso em tramitação na Justiça Eleitoral. Seu programa defende a dissolução das forças militares repressivas e o não reconhecimento da dívida pública estadual com a União.
Indira Xavier (UP)
Indira Ivanise Xavier, 41 anos, nasceu em 4 de outubro de 1984 em Maceió, em Alagoas, mas mora e atua em Minas Gerais há vários anos. É solteira, tem ensino médio e é auxiliar administrativa e de escritório, figurando como a única representante feminina e a única preta no quadro de candidatos ao governo mineiro em 2026.
Sua escola de ativismo foram as assembleias do movimento estudantil alagoano, evoluindo para a coordenação de ocupações habitacionais organizadas pelo MLB e assumindo a liderança do Movimento de Mulheres Olga Benário na formulação e sustentação de casas de acolhimento para vítimas de violência doméstica.
Disputou mandatos de deputada estadual pelo PSOL em 2006 e 2010. Transferiu-se para a Unidade Popular (UP) desde o processo de coleta de assinaturas para sua fundação, disputando o governo de Minas Gerais em 2022 e a prefeitura de Belo Horizonte em 2024. Registra sua segunda candidatura ao Palácio da Liberdade ao lado de Renato Campos (UP) como vice, defendendo uma reforma urbana e a ampliação de políticas de moradia popular.
Patrus Ananias (PT)
Patrus Ananias de Souza, 74 anos, é advogado e professor aposentado de Direito da PUC-MG e da UFMG. Nasceu em 1952 em Bocaiúva, norte do estado de Minas Gerais, é o postulante mais velho e tem a mais extensiva folha de serviços e mandatos políticos no pleito mineiro. É viúvo de Vera Victer Ananias, a Verinha, psicóloga e ativista social, ex-professora e pró-reitora de extensão da PUC Minas, que morreu em 2023.
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Membro-fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) em Minas Gerais, foi eleito vereador e, posteriormente, exerceu o mandato de prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996, pondo em prática políticas de combate à fome que ganharam reconhecimento da FAO/ONU. Durante a presidência de Lula, foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome entre 2004 e 2007, sendo um dos responsáveis pela estruturação do Programa Bolsa Família e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Na gestão Dilma Rousseff, foi ministro do Desenvolvimento Agrário em 2015 e 2016.
Exerce mandatos parlamentares como deputado federal desde a década de 2000, com reeleições sucessivas a partir de 2014. Disputou o cargo de vice-governador em 2010 e a prefeitura de BH em 2012. Encabeçou o palanque de Lula em Minas no pleito de 2026.
Professor Túlio Lopes (PCB)
Túlio Cesar Dias Lopes, 44 anos, nasceu em Belo Horizonte, é solteiro e declara-se pardo no registro do TSE. Historiador com mestrado e doutorado em Educação, é docente concursado da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e ativista sindical. É o secretário-geral do diretório regional do PCB em Minas.
Ingressou na militância comunista em 1999 nas entidades acadêmicas da UFMG e nos fóruns contra a mercantilização do ensino público superior. Sua carreira política é integralmente vinculada às instâncias deliberativas do PCB.
Disputou eleições proporcionais para deputado estadual em 2006 e vereador de Belo Horizonte em 2016. Em disputas majoritárias, sua densidade eleitoral é pouco maior que traço: concorreu ao governo do estado em 2014, obtendo 0,26% dos votos válidos, e ao Senado Federal em 2018, com 0,52%. Encabeça a chapa do PCB ao lado de Warlen Nunes (PCB), defendendo o controle estatal da mineração, a estatização da Cemig e da Copasa e a expansão do investimento em pesquisa pública.
Rafael Duda (PSTU, 16)
Rafael Ribeiro de Ávila, conhecido como Rafael Duda, 41 anos, é técnico de mineração, metalurgia e sondagem geológica e nasceu em 1984 em Belo Horizonte. É solteiro e tem formação superior incompleta.
É presidente do Sindicato Metabase de Inconfidentes e trabalha como operário em áreas de extração minerária. Filiado unicamente ao PSTU, participou das eleições municipais em Congonhas concorrendo à prefeitura em 2020 e 2024, além de figurar na disputa por vaga de deputado federal em 2022. Estreia na disputa pelo Palácio da Liberdade ao lado da professora Diana de Cássia (PSTU), apresentando programa de expropriação sem indenização das grandes mineradoras multinacionais com gestão direta dos trabalhadores.