Opinião

Qualidade do atendimento e o advogado como aliado estratégico das grandes empresas

Para além da técnica jurídica, os escritórios devem estar preparados para apresentar respostas ágeis e objetivas, mantendo clareza na comunicação

Foto: Divulgação
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Por Anelise Roberta Belo Bueno Valente*

O mercado jurídico atual – em especial na advocacia para grandes empresas – tem se caracterizado por intensas transformações na maneira de se conduzir as atividades, os procedimentos internos e o atendimento ao cliente. A era digital trouxe mudanças e uma fluidez que precisa ser incorporada por quem quer se manter competitivo nesse universo. As grandes empresas têm se tornado, a passos largos, mais e mais exigentes e orientadas aos resultados, de maneira que o domínio técnico não se apresenta mais – unicamente – suficiente para que o escritório se mantenha dentro do jogo.

Para além da técnica jurídica a respeito do tema a ser tratado, os escritórios devem estar preparados para apresentar respostas ágeis e objetivas, mantendo a clareza na comunicação – tendo sempre em mente que o interlocutor não tem conhecimento jurídico, mas deve conseguir compreender o que lhe está sendo explicado.

Da mesma forma, os clientes têm esperado maior segurança no oferecimento dos serviços jurídicos através da clara previsibilidade de riscos, prazos e custos envolvidos, sem mencionar a óbvia necessidade de se ter entendimento a respeito de seu negócio. Ou seja, como quaisquer outros setores que têm evoluído desta maneira, o atendimento prestado pela advocacia se transformou para muito além da disponibilidade, e segue se direcionando para a melhor experiência do cliente, tanto no que diz respeito à qualidade do atendimento propriamente dito, o contato pessoal, individual e personalizado, quanto em relação à entrega que fuja do óbvio, compreendendo as reais necessidades e expectativas do contratante.

Tudo isso pode ser entregue com organização, padronização de procedimentos, proatividade e acompanhamento constante. É aqui que a tecnologia entra como importante aliada, pois auxilia o advogado a transformar dados puros em indicação estratégica de negócio. Mas, ainda, não basta a técnica, a organização e a estratégia se o escritório não souber se comunicar com o cliente. Portanto, imprescindível, também, falar a linguagem do gestor executivo, visto que a clareza comunicativa – independentemente do quanto se evolua em outros aspectos – jamais deixará de ser o coração do atendimento de excelência.

Estruturando, então, todos os pontos já elencados com as ferramentas de tecnologia que possam facilitar a apresentação de relatórios objetivos e que tornem as reuniões e retornos mais eficientes, o escritório passa a construir confiança institucional, reduz ruídos e retrabalho, bem como consolida parcerias de longo prazo nas quais o advogado deixa de ser apenas mais um prestador de serviços e passa a ser um aliado estratégico essencial.

O mercado não espera, por isso essa transformação tem que ser rápida. Contudo, é possível se fazer caminho inverso evitando agir de formas que façam o escritório andar na contramão dessa evolução relacional entre escritório e grandes empresas. Como? Deixando de focar exclusivamente na técnica jurídica, evitando atuar sem padronização de processos e procedimentos e substituindo a comunicação reativa pela comunicação estratégica.

Para isso, imprescindível que os escritórios tenham seus objetivos muito bem definidos e claros para todos os integrantes da bancada, pois, o alinhamento interno é a alma da tática de negócio, especialmente porque será através dessa clareza que os profissionais que integraram a bancada serão aqueles cuja visão de negócio esteja alinhada a esse propósito e que estejam preparados, engajados e dispostos a evoluir constantemente.

Portanto, entende-se que a advocacia do presente, e do futuro, estrutura-se na técnica jurídica, na estratégia negocial e na área relacional, tendo no atendimento de qualidade um diferencial competitivo real.

Anelise Roberta Belo Bueno Valente é advogada especializada em Direito Processual Civil e gestora do escritório Rücker Curi Advocacia e Consultoria Jurídica.