Carta de apoio a Fachin mobiliza sociedade civil e ex-ministros em meio à crise institucional no STF
Manifesto subscrito por ex-ministros, juristas e lideranças sociais repudia pressões sobre a Corte e reforça a governança institucional em meio às investigações conduzidas pelo plenário
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14 de setembro de 2026 às 11:00Atualizado em 14 de setembro de 2026 às 11:59
O presidente do STF, Edson Fachin: apagando incêndios em sequência
Em meio à grave crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), um grupo composto por ex-ministros de Estado, economistas, empresários, juristas e representantes da sociedade civil divulgou, neste domingo (13/9), uma carta aberta em apoio ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. O documento manifesta apoio às medidas adotadas pelo magistrado para preservar a autoridade do tribunal e cobra rigor na apuração das acusações recentes que envolvem ministros do Supremo.
Foto: Alejandro Zambrana/STF
O documento, que reúne quase duzentas assinaturas — incluindo nomes como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, os ex-ministros José Eduardo Cardozo e Paulo Vannuchi, além de empresários e economistas de peso —, enfatiza que a jurisdição do STF não pode ser submetida a influências impróprias.
O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.
Bastidores e o cenário no STF
A manifestação da sociedade civil ocorre no ápice de um fim de semana de alta tensão em Brasília, marcado por movimentações intensas nos gabinetes e disputas sobre o rito de julgamentos cruciais. Na pauta desta terça-feira (15)/9, o plenário do STF se prepara para analisar a validade de um relatório da Polícia Federal que cita o ministro Alexandre de Moraes e avaliar se há elementos suficientes para encaminhar investigações à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Enquanto Fachin busca blindar os procedimentos e assegurar a transparência colegiada, o tribunal tem sido palco de impasses processuais, incluindo decisões cruzadas sobre o acesso a provas cruciais — como o compartilhamento e a entrega de dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Para os signatários do manifesto, a responsabilização de agentes públicos que eventualmente tenham violado a lei ou a dignidade de seus cargos é um passo inegociável para resgatar a confiança pública nas instituições democráticas.
Leia abaixo a carta na íntegra:
A S. Ex.ª o Ministro Edson Fachin Presidente do Supremo Tribunal Federal
Brasília, 13 de setembro de 2026
Senhor Ministro Presidente,
Os cidadãos e representantes da sociedade civil abaixo assinados vêm manifestar seu integral apoio às medidas adotadas por V. Ex.ª, com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal e promover, sob a estrita observância do devido processo legal, a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas.
Para isso, é fundamental assegurar ampla transparência às investigações e à sessão plenária marcada para o próximo dia 15 de setembro, que deve ocorrer de forma pública, nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal.
Estamos vivendo a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal e certamente uma das mais graves de nossa acidentada história republicana. A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia.
Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes.
O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.