Sufoco, aperto, encrenca, contratempo, dificuldade, enrosco, dor de cabeça, perrengue… São muitas as palavras da língua portuguesa para definir o que acontece depois que o celular é roubado. Por permitir o acesso a dados pessoais sigilosos e viabilizar uma oportunidade para a prática de vários crimes e golpes, o equipamento se tornou o queridinho dos bandidos.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 917.748 aparelhos roubados em 2024 em todo o país. Ou seja, dois celulares são roubados ou furtados a cada minuto. A maioria dos casos (cerca de 80%) aconteceu em vias públicas.
O Brasil tem mais de 272 milhões de smartphones em uso, o que representa uma média de 1,3 celulares por habitante, superando o número de pessoas no país (213,5 milhões). Os dados são de 2025.
Nesses casos, agir rápido é a regra de ouro, recomenda Fernando Corrêa, CEO da Securityfirst, empresa brasileira especializada em cibersegurança e segurança da informação. Ele sugere um roteiro básico para seguir após o roubo do celular para evitar prejuízos maiores.
Veja o que fazer quando o celular for roubado:
1. Use o aplicativo Celular Seguro, do governo federal, se já tiver cadastrado, que permite, em um único canal, solicitar o bloqueio do aparelho, da linha e de serviços bancários vinculados. Ou ligue para os seus bancos para bloquear contas e cartões de crédito;
2. Apague o celular à distância. Use o site Encontre Meu Dispositivo, do Google/Android, ou o Buscar, da Apple, através de outro computador ou celular para enviar um comando que formata e apaga tudo que está no aparelho roubado;
3. Troque a senha do seu e-mail principal. Aquele e-mail que você usa para recuperar todas as outras senhas (Gmail, Outlook, iCloud) precisa ter a senha alterada imediatamente;
4. Avise a família e amigos. Peça para alguém avisar seus contatos de que você foi roubado, para que ninguém caia no golpe de transferir dinheiro via Pix pelo seu WhatsApp;
5. Faça o Boletim de Ocorrência (B.O), por meio da Delegacia Eletrônica, pois este documento é a sua principal defesa na Justiça caso os criminosos consigam fazer alguma dívida ou golpe no seu nome.
Com o B.O, é possível travar o aparelho pelo IMEI, que é uma espécie de CPF do smartphone. O procedimento é simples: basta ligar para a operadora e pedir o bloqueio. Geralmente, vão pedir seus dados e o número do B.O. “Quando você bloqueia o IMEI, o celular fica impedido de se conectar a qualquer rede telefônica. Basicamente, ele não serve mais para fazer ligações ou acessar a internet móvel. Isso é muito importante porque tira o valor de revenda do aparelho, atrapalhando o negócio dos criminosos”, explica Fernando Corrêa.
Logins e senhas
Além de trocar imediatamente as senhas de e-mail, bancos, redes sociais e qualquer serviço vinculado ao número de telefone, também é importante encerrar todas as sessões ativas, porque muitas contas permanecem logadas e podem ser acessadas mesmo sem a senha, aconselha o advogado Marco Tulio Castro, especialista em proteção de dados pessoais e sócio do WCW Advogados Associados.
“Outro ponto é revisar a autenticação em duas etapas. Sempre que possível, o ideal é usar aplicativos autenticadores ou outros métodos mais seguros, em vez de SMS, que pode ser comprometido se o criminoso conseguir acesso à linha. Em muitos casos, o acesso ao SMS e ao e-mail permite redefinir senhas e tomar controle de contas rapidamente”, afirma.
O especialista orienta, ainda, solicitar limites temporários para transferências, especialmente via Pix, pedir a emissão de novos cartões e acompanhar de perto qualquer movimentação. “Transações suspeitas devem ser contestadas imediatamente”, diz.
Segundo ele, do mesmo modo, é importante monitorar o uso do CPF, consultando o Registrato do Banco Central (BC), por meio do Portal gov.br, para detectar contas ou créditos abertos indevidamente, porque os dados do aparelho podem ser usados para isso.
Os especialistas ouvidos pelo DeJur também indicam a utilização de serviços como o Serasa para acompanhar se alguém tentou abrir empresas ou pedir cartões de crédito e empréstimos usando seus dados.
“Do ponto de vista jurídico, o uso indevido de dados após o roubo pode configurar falha de segurança e gerar responsabilidade de instituições que não adotem medidas adequadas de proteção. Por isso, a resposta rápida da vítima e o registro de todas as comunicações são decisivos para limitar prejuízos e resguardar direitos”, explica Marco Tulio Castro.